A Realidade de Sorocaba e os Esforços para Ajudar
Sorocaba, localizada no interior de São Paulo, destaca-se entre as dez cidades que apresentam o maior número de pessoas em situação de rua no estado. Um levantamento baseado no Cadastro Único de programas sociais do governo federal revela que a cidade conta com 945 indivíduos nessa condição, posicionando-se na nona colocação em um estado que, ao todo, abriga cerca de 151 mil pessoas em situação de rua, liderando o ranking nacional.
João Alberto Corrêa Maia, secretário de Segurança Urbana de Sorocaba, comenta que, segundo estimativas mais recentes, o número real de pessoas em situação de rua na cidade é de aproximadamente 360. Essa diferença se deve a critérios distintos utilizados para a contagem. “As equipes de humanização e o SOS estão 24 horas nas ruas e fazem esse acompanhamento”, explica.
Histórias de Desafios e Esperança
As ruas de Sorocaba são marcadas por histórias de desafios e superação. Antônio Marcos Aparecido de Oliveira, de 55 anos, é um exemplo disso. Após quase seis anos vivendo nas ruas, ele retornou ao abrigo do Serviço de Obras Sociais (SOS). A trajetória de Antônio inclui a perda de emprego em 2020, no início da pandemia, e dificuldades com o consumo de álcool. “Vim para cá, consegui uma internação em Avaré (SP), me recuperei por um tempo, mas tornei a recair. Voltei para pedir ajuda novamente e estão me ajudando. Estou fazendo tratamento no CAPS”, relata.
O abrigo em Sorocaba oferece acolhimento noturno e funciona como uma casa de passagem, disponibilizando 180 vagas. Em média, cerca de 160 atendimentos são realizados diariamente. A abordagem é realizada por assistentes sociais com o apoio da Guarda Civil Municipal, e a assistência ocorre apenas quando a ajuda é aceita. Rubens Cury Basso, vice-presidente do SOS, afirma que o espaço fornece condições básicas, como banho, alimentação, cama e café da manhã. “Muitos voltam para a rua depois, mas têm aqui um suporte básico”, diz.
Programas de Apoio e Reinserção Social
Além do abrigo, Sorocaba conta com o Programa Humanização, da Prefeitura, que integra uma rede de atendimento na cidade. Os profissionais atuam tanto de forma espontânea quanto a partir de solicitações. De acordo com o secretário, a prefeitura oferece um suporte abrangente que inclui alimentação, abrigo, passagens e até encaminhamentos para emprego. “A necessidade que a pessoa tiver no momento será atendida, seja vaga em clínica de reabilitação, retorno para a família ou oportunidade de trabalho”, afirma João Alberto Corrêa Maia.
O estudo do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revela números preocupantes em outras cidades da região. Itu registra 386 pessoas em situação de rua, Jundiaí conta com 358 e Itapetininga possui 237.
A Necessidade de Ações Abrangentes
Especialistas concordam que modificar essa realidade exige a implementação de programas sociais mais abrangentes. O cientista social João Vital Mota Junior enfatiza a importância de proporcionar moradia estável, oportunidades de emprego, fortalecimento da saúde mental e serviços que atendam às necessidades específicas da população vulnerável. “É preciso ter uma visão mais sistêmica, com programas robustos, como o modelo ‘moradia primeiro’, seguido de adesão a tratamentos de saúde e busca por emprego”, destaca.
Entre os atendidos, há aqueles que buscam um recomeço. João da Silva Soares, de 41 anos, já recebeu uma proposta de emprego com carteira assinada e aguarda a retirada de documentos para formalizar sua contratação. “Quero voltar a trabalhar e tocar minha vida para frente”, afirma.


