A Arte e o Reconhecimento no Globo de Ouro
No último Globo de Ouro, um destaque não ficou apenas nas vitórias cinematográficas: o pequeno santinho intitulado “Santa Nanda da Sorte” chamou a atenção de todos os presentes. Enquanto O Agente Secreto, filme de Kleber Mendonça Filho, conquistava o prêmio de Melhor Filme de Língua Não Inglesa e Wagner Moura levava para casa o troféu de Melhor Ator – Drama, Fernanda Torres, protagonista de Ainda Estou Aqui, cuja performance lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz em Filme de Drama em 2025, teve sua imagem eternizada nesse amuleto especial.
A criação de “Santa Nanda da Sorte” é assinada por Sophia Andreazza, uma talentosa ilustradora de Sorocaba, que fez a entrega do santinho à equipe do filme durante um evento especial no tapete vermelho em Los Angeles, promovido pela TNT e pela HBO. O Agenda Sorocaba conversou com a artista sobre sua trajetória e o significado desse momento.
Do Estande ao Tapete Vermelho
A distribuição do santinho ocorreu em um espaço especialmente montado para a cobertura do evento. No entanto, Sophia não tinha certeza se sua arte chegaria às mãos dos artistas. “Quando a produtora me falou sobre isso, mencionou que talvez acontecesse, mas que tudo dependia da dinâmica do tapete. Não havia garantias”, relata.
Com isso, a artista procurou não criar grandes expectativas. “Eu torcia para que tudo desse certo, mas sem certeza. Foi uma grata surpresa quando soube que haviam recebido”, comenta, refletindo sobre a ansiedade do momento.
O Processo Criativo
Embora Sophia tenha seu estilo distinto, ela enfatiza que “Santa Nanda da Sorte” é resultado de um trabalho colaborativo. “A arte começou a partir de um briefing. Não fui eu quem criei isso sozinha, foi um processo que envolveu conversas e troca de ideias com a produtora”, explica, ressaltando a importância do diálogo no desenvolvimento artístico.
O desafio era claro: criar uma peça pequena, simbólica e fácil de carregar. “Eles queriam algo que os artistas pudessem guardar no bolso”, conta. Para isso, a artista se aprofundou em pesquisas sobre a estética dos tradicionais santinhos. “Olhei para a forma como são feitos, seus designs, cores e elementos decorativos”, detalha.
Além de capturar a essência dos santinhos, era crucial para Sophia representar Fernanda Torres com autenticidade. “A fidelidade nas feições dela é essencial ao desenhar alguém”, afirma.
Influências e Criatividade
Quem já acompanhou o trabalho de Sophia sabe que sua arte é profundamente influenciada pelo cinema, música e cultura pop. Ela acredita que essas referências moldam sua criatividade. “Os filmes, as músicas e os artistas brasileiros contemporâneos são minhas principais fontes de inspiração. A arte não existe isolada”, compartilha.
Com quase uma década de experiência na ilustração, Sophia destaca que sua bagagem artística a permite desenvolver projetos com mais precisão e rapidez. “Consigo criar ilustrações em dois dias, por exemplo, devido ao conhecimento acumulado ao longo dos anos”, diz.
Sorocaba: Um Território Crítico
Embora tenha nascido em São Paulo, Sophia considera Sorocaba uma parte vital de sua formação como artista. “A cidade me acolheu aos 10 anos, e comecei a vender meus trabalhos nas Feiras do Beco do Inferno e Selvagem, que foram fundamentais na minha trajetória”, lembra.
Ela ressalta a importância desses espaços culturais na cidade, que contribuíram significativamente para seu crescimento artístico.
Desafios e Futuro da Arte
Ao discutir o futuro da arte, Sophia expressa suas preocupações. “É um momento complicado para os artistas. A ascensão da inteligência artificial traz incertezas e receios, principalmente entre os jovens”, reflete.
Ela mesma já enfrentou desafios ao buscar representação em agências de ilustração, enfrentando uma série de negativas. “Recebi cerca de 30 não. É preciso lembrar que o caminho dos artistas é repleto de recusas, mas isso não apaga seus sucessos”, afirma.
Inspiração para Novas Gerações
Para os jovens artistas, Sophia deixa um conselho valioso: “Cada trabalho é importante. Não importa o tamanho, aqui se trata de dar atenção e dedicação a cada projeto”. Ela encerra com uma mensagem de encorajamento: “O software não define o artista. Comece com o que você tem e desenvolva seu próprio estilo. A partir daí, as oportunidades surgirão”.


