Por que a vacina contra bronquiolite é essencial?
O vírus sincicial respiratório (VSR) é uma das principais causas de infecções respiratórias em crianças pequenas e também em idosos. Este vírus pode ocasionar quadros severos, como bronquiolite, e até levar a óbitos, especialmente entre os bebês. Para combater essa ameaça, a vacina contra o VSR, voltada para gestantes, começou a ser distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em dezembro de 2025, visando proteger os recém-nascidos da bronquiolite e da pneumonia.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica norte-americana Pfizer, que culminará na transferência tecnológica da vacina ao Brasil, além do fornecimento conjunto do imunizante para a rede pública. O acordo foi formalizado em setembro por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), com o Ministério da Saúde. Essas parcerias são fundamentais para ampliar o acesso a medicamentos e novas tecnologias no SUS.
O impacto do VSR na saúde infantil
Para esclarecer sobre o vírus sincicial respiratório e a importância da vacina, o Portal do Butantan entrevistou a pediatra e gerente médica do Instituto, Carolina Barbieri. Ela explica que o VSR é um vírus respiratório transmitido por gotículas, que afeta as vias respiratórias e os pulmões, espalhando-se através de tosse, espirros e objetos contaminados. A infecção pelo VSR provoca bronquiolite, que causa dificuldades respiratórias.
Até outubro de 2025, o VSR foi responsável por 40,6% dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) que resultaram em internação de crianças com menos de dois anos, conforme dados do Boletim InfoGripe. “Nos bebês, os bronquíolos são especialmente pequenos, e qualquer inflamação ou acúmulo de secreções pode levar à falta de ar e chiados no peito. Esses pequenos têm dificuldade em eliminar secreções, o que aumenta o risco de complicações e hospitalizações”, destaca a pediatra.
Bronquiolite e VSR: qual a relação?
É importante ressaltar que o VSR não é sinônimo de bronquiolite. A bronquiolite é uma condição clínica que resulta da inflamação dos bronquíolos, sendo o VSR o principal agente causador. Embora outros patógenos possam provocar bronquiolite, o VSR é responsável pela maioria dos casos em bebês e crianças pequenas.
Circulação do VSR e sintomas
O VSR tem uma tendência a circular com mais intensidade durante os meses de outono e inverno, períodos em que a incidência de vírus respiratórios aumenta. “Nesse tempo, tendemos a ficar mais em ambientes fechados, o que facilita a transmissão do vírus. A vigilância epidemiológica assinala uma alta taxa de casos graves, especialmente em crianças menores de dois anos e em idosos”, explica Carolina Barbieri.
Os sintomas do VSR incluem tosse, febre, chiados no peito, dificuldade para respirar e secreção nasal. O diagnóstico é geralmente clínico, baseado nos sinais de bronquiolite, mas pode ser confirmado com testes laboratoriais específicos.
Vacinação de gestantes: uma estratégia eficiente
A vacina contra o VSR é indicada para gestantes, não apenas como uma medida direta para os bebês, mas como uma proteção passiva. “Quando a mãe é vacinada, ela produz anticorpos que são transferidos para o bebê através da placenta e do leite materno. Assim, o recém-nascido já nasce com uma proteção nos primeiros meses de vida, período crítico para o desenvolvimento de formas graves da doença”, esclarece a médica.
A vacinação do bebê logo após o nascimento não seria tão eficaz, pois o sistema imunológico do recém-nascido ainda está imaturo. A recomendação é que a vacina seja aplicada a partir da 28ª semana de gestação, garantindo que os anticorpos sejam transferidos a tempo.
VSR e idosos: riscos aumentados
O VSR também pode afetar pessoas mais velhas, causando graves quadros respiratórios, especialmente em idosos com doenças crônicas ou imunidade comprometida. O processo inflamatório pode ser mais severo nessa faixa etária, assim como em bebês.
Prevenção e medidas complementares
Além da vacinação, as medidas de prevenção permanecem essenciais: lavar as mãos com frequência, usar máscaras em ambientes fechados ou quando em contato com pessoas doentes, evitar o contato próximo com quem estiver resfriado e garantir boa ventilação nos ambientes. “Como ainda não existe tratamento antiviral específico, a prevenção é fundamental. A vacina para gestantes e os anticorpos monoclonais para bebês em risco são um grande avanço em saúde pública”, conclui Carolina Barbieri.
A introdução da vacina no SUS tem potencial para diminuir consideravelmente os casos de VSR no país, reduzindo a circulação do vírus e as hospitalizações, além de minimizar o impacto da doença na vida das famílias.


