Panorama das Estratégias em Linguagem e Matemática na Educação Infantil
As redes municipais de ensino, responsáveis pela gestão da educação infantil, têm adotado com maior frequência estratégias voltadas para o letramento e experiências relacionadas à linguagem do que para o desenvolvimento da matemática. Segundo o relatório “Percepções e Desafios da Educação Infantil Pública”, divulgado recentemente pelo Itaú Social em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), 76% dos municípios aplicam práticas focadas na linguagem e cultura escrita, enquanto 48% adotam iniciativas relativas ao letramento matemático.
O estudo, que contou com a participação de 2.712 redes municipais (representando 49% do total no país), também aponta que 20% das secretarias municipais não dispõem de programas para a primeira infância, o que evidencia lacunas na oferta de serviços especializados nessa etapa fundamental do ensino básico.
Desafios na Gestão e Acompanhamento das Redes Conveniadas
Além disso, 23% das prefeituras relataram desconhecimento sobre a aplicação dessas estratégias em unidades conveniadas, que são parceiras contratadas para suprir demandas locais por vagas. Sonia Dias, gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social, destaca a importância do acompanhamento rigoroso dessas unidades para garantir a qualidade e a equidade no atendimento educacional.
“Ainda que não se configurem redes paralelas, é essencial que as secretarias municipais supervisionem as redes conveniadas com o mesmo rigor aplicado às suas próprias unidades”, enfatiza Sonia Dias.
Consolidação de Rotinas Pedagógicas e Formação Continuada
O relatório também destaca que 62% das redes apoiam iniciativas que promovem o contato das crianças com a natureza, enquanto 58% oferecem formação continuada focada no desenvolvimento infantil. Ações para garantir o acesso e a permanência dos alunos são realizadas por 56% das redes municipais.
Luiz Miguel Martins Garcia, presidente nacional da Undime e secretário de Educação de Nova Odessa (SP), reforça que a educação infantil é decisiva para o percurso escolar e social das crianças, e que políticas públicas devem ser planejadas com escuta da comunidade e atenção às desigualdades territoriais.
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Fonte: joinews.com.br
Regime de Colaboração entre Estados e Municípios
Segundo o estudo, 67% das redes municipais recebem apoio das secretarias estaduais para a educação infantil, principalmente em formações e suporte técnico. Entretanto, um terço dos municípios não conta com esse suporte, apontando a necessidade de avanços na coordenação entre União, estados e municípios para reduzir desigualdades regionais e fortalecer redes menores.
Sonia Dias salienta que o repasse de recursos, como os provenientes do Fundeb e do Programa Dinheiro Direto na Escola, deve ser acompanhado de assistência técnica para o uso eficiente dos fundos, garantindo que escolas e secretarias possam investir adequadamente nas necessidades locais.
Currículo e Organização Pedagógica na Educação Infantil
A maioria dos municípios (63%) adota a matriz curricular estadual, enquanto 34% possuem currículo próprio e 2% não têm currículo definido para a etapa infantil. Na pré-escola, 78% adaptaram o Projeto Político-Pedagógico (PPP) às diretrizes vigentes, mas 37% das secretarias enfrentam dificuldades para alinhar o PPP à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Esse desalinhamento é mais comum nas unidades conveniadas.
Sonia Dias reforça que todas as unidades devem seguir o PPP ou o plano municipal para garantir diretrizes curriculares uniformes e supervisão efetiva pela secretaria de educação.
Fragilidades na Transição para o Ensino Fundamental
O estudo revela que a transição da pré-escola para o 1º ano do ensino fundamental ainda apresenta falhas. Aproximadamente 17% das redes não realizam planejamento articulado entre as etapas, e 13% não adotam estratégias básicas, como o uso de portfólios de acompanhamento. Essa descontinuidade pode causar resistência escolar, atrasos no processo de alfabetização e dificuldades no percurso educacional das crianças.
Para Sonia Dias, processos de transição cuidadosos facilitam a adaptação das crianças, tornando a continuidade do ensino mais acolhedora e menos traumática.
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Fonte: bahnoticias.com.br
Infraestrutura e Inclusão: Desafios Persistentes
A infraestrutura inadequada lidera os principais desafios para 23% dos gestores municipais, que enfrentam limitações de recursos para manutenção, aquisição de materiais pedagógicos e ampliação de vagas em creches. Em âmbito pedagógico, 15% apontam dificuldades na inclusão de crianças com deficiência ou neurodivergências, o que demanda investimentos em acessibilidade, materiais adaptados e apoio especializado em sala de aula.
Sonia Dias ressalta que esse atendimento especializado requer recursos significativos e apoio técnico, ainda insuficientes em muitos municípios.
Formação Continuada e Capacitação Docente
A formação continuada para professores e gestores é outro desafio destacado, com falta de equipes capacitadas, baixa adesão e carência de abordagens aprofundadas sobre o desenvolvimento infantil e inclusão. Cerca de 20% das redes não oferecem formação adequada para unidades conveniadas, o que acentua as desigualdades na qualidade do ensino.
Sonia Dias alerta para a necessidade de políticas que garantam formações contínuas, especialmente para corrigir lacunas da formação inicial, que muitas vezes se limita ao ensino a distância com pouca prática em sala.
Repensando Políticas para a Educação Infantil
O relatório conclui que as políticas públicas nacionais precisam avançar para além da mera abertura de vagas, concentrando esforços na qualificação dos ambientes educativos. A expansão do tempo integral e a gestão de novas vagas aparecem como desafios ainda presentes, exigindo planejamento e investimento para garantir a educação infantil de qualidade.


