Investigação sobre Trabalho Forçado
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (Ustr) anunciou uma investigação abrangente que abrange 60 países, incluindo o Brasil, para avaliar se as iniciativas adotadas por essas nações são eficazes no combate à exportação de produtos potencialmente produzidos com trabalho forçado. O objetivo é proteger o mercado americano de práticas consideradas desleais que possam prejudicar as empresas dos EUA.
“Essas investigações vão esclarecer se os governos estrangeiros implementaram medidas suficientes para restringir a importação de bens fabricados com trabalho forçado. Além disso, queremos entender como a ineficácia na erradicação dessas práticas impacta tanto os trabalhadores quanto as empresas americanas”, afirmou Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos, em um comunicado divulgado nesta quinta-feira (12).
Entre os países sob investigação estão importantes parceiros comerciais dos EUA, como China, União Europeia, México, Canadá, Israel, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos. Na América Latina, além do Brasil e do México, estão na lista Argentina, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Nicarágua, Peru, Uruguai e Venezuela.
Concorrência Desleal e o Impacto no Comércio
Greer destacou que durante muito tempo, trabalhadores e empresas americanas enfrentaram a dura realidade de competir com produtores estrangeiros que podem se beneficiar de uma vantagem de custo artificial, possibilitada pela utilização de trabalho forçado. Essa prática, segundo ele, representa uma forma de concorrência desleal, e a abordagem do Ustr foca em corrigir essa situação sem necessariamente entrar nas questões mais amplas de direitos humanos.
A Ustr, ligada diretamente ao gabinete do presidente dos Estados Unidos, desempenha um papel fundamental na negociação de acordos comerciais e na assessoria ao mandatário em questões de política comercial. Para dar início a esta investigação em torno das 60 economias, a agência se baseia em uma legislação de 1974 que permite ao representante comercial instaurar inquéritos por iniciativa própria.
A Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA foi desenvolvida para combater práticas de comércio consideradas desleais e que possam afetar os interesses comerciais americanos. Caso a USTR determine que algum dos países investigados não instituiu barreiras adequadas para impedir a exportação de produtos fabricados com trabalho análogo à escravidão, a Casa Branca poderá aplicar tarifas punitivas ou restrições comerciais sobre esses produtos.
Audiências e Participação Pública
De acordo com o Ustr, os representantes dos 60 países alvos da investigação já foram notificados. O escritório programou audiências para o dia 28 de abril, onde ouvirá os argumentos dos envolvidos no processo. Para assegurar que suas contribuições sejam consideradas, as partes interessadas devem enviar comentários por escrito e solicitações para comparecimento na audiência, acompanhados de um resumo do depoimento, até o dia 15 de abril de 2026.


