Desafios do Autismo em SP: Histórias de Uma Terapeuta e Um Jornalista
No Dia Mundial do Autismo, celebrado em 2 de abril, é importante refletir sobre as dificuldades que pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) enfrentam no cotidiano. Além do diagnóstico, que muitas vezes é estigmatizado, indivíduos com TEA vivem desafios diários que vão muito além do que se pode imaginar. Vanessa Silva de Oliveira, terapeuta de 42 anos, e João Aoki, jornalista de 32 anos, ambos diagnosticados com autismo nível 1, compartilham suas experiências e os obstáculos que enfrentam em suas vidas.
A distância entre Presidente Prudente e Sorocaba, onde ambos residem, pode ser de quase 500 quilômetros, mas suas histórias se entrelaçam através da vivência do autismo. João Aoki recebeu seu diagnóstico aos 14 anos, enquanto Vanessa só obteve seu laudo aos 39. Vanessa relembra a dificuldade de lidar com sua condição por tanto tempo sem saber de fato o que era. ‘Trabalhei por 20 anos na área comercial e financeira, enfrentando desafios constantes, como a dificuldade em manter contato visual e a facilidade em me distrair, o que frequentemente me fazia perder o foco’, conta.
“A intensidade é uma marca registrada dos autistas. Nós vivemos tudo com uma profundidade que torna mais complicados o enfrentamento da frustração e das decepções. Quando começamos algo, é como se nossa vida estivesse em jogo, e desistir não é uma opção”, afirma Vanessa, destacando como a percepção social sobre o autismo pode ser equivocada e prejudicial.
De acordo com o Ministério da Previdência Social, o autismo é caracterizado por desafios na comunicação social e por comportamentos repetitivos e restritos. No Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas têm esse diagnóstico, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Globalmente, esse número chega a aproximadamente 70 milhões. O termo ‘espectro’ reflete a diversidade de manifestações do transtorno, que pode variar de formas leves, permitindo uma vida independente, a situações que requerem suporte intenso.
Vanessa, que é mãe de dois filhos, um deles diagnosticado com TEA, ressalta que o preconceito é um dos principais desafios enfrentados por autistas. “Infelizmente, a sociedade tende a rotular e criar estereótipos. O autismo de nível 1 é frequentemente desconsiderado, como se não fosse um verdadeiro transtorno. É doloroso viver sob a expectativa de que eu deva me encaixar em um modelo de como um autista ‘deveria’ ser”, critica.


