Mobilização pelo samba e pela democracia em São Paulo
“Democracia já. Democracia sempre. O samba não se cala!” É com esse lema que sambistas, artistas, compositores e profissionais do Carnaval de São Paulo convocam uma mobilização no próximo domingo (18), na capital paulista, em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A iniciativa, batizada de Frente Progressista do Samba, reúne vozes diversas da cultura popular em uma carta aberta que defende a democracia, os trabalhadores da cultura e as comunidades que preservam essa tradição.
Articulação e memória cultural
Entre os articuladores do movimento estão dois nomes da comunidade ítalo-brasileira: o compositor Aquiles Accocella, conhecido como Aquiles da Vila, e Rafael Falanga, presidente da Mocidade Unida da Mooca, escola de samba localizada em uma região tradicionalmente marcada pela imigração italiana. Segundo Accocella, a preocupação com o futuro das escolas de samba diante da ameaça de um governo de extrema direita impulsionou a criação do movimento.
“Já vivemos essa escuridão e sabemos como é”, afirmou o compositor em entrevista, lembrando que o Carnaval brasileiro carrega uma história de resistência. A mobilização pretende ir além do período eleitoral, atuando na denúncia de retrocessos e na defesa contínua da cultura popular, valorizando também a memória das perseguições sofridas pelas escolas de samba ao longo do tempo.
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Evento e reivindicações
A concentração do ato será no Largo da Banana, na Barra Funda, local de forte ligação com a memória dos trabalhadores negros e as origens do samba paulistano. De lá, os participantes seguirão em cortejo até a Rua do Samba, onde acontecerá o ato público. O movimento reúne mais de 2 mil participantes em grupos de WhatsApp e já contabiliza mais de mil assinaturas na carta aberta.
Entre os convidados confirmados estão a deputada federal Erika Hilton, autora da Proposta de Emenda à Constituição que revogou a escala 6×1, a vereadora e deputada federal eleita Luna Zarattini, além dos músicos Salgadinho e Arlindinho.
A carta aberta relembra episódios históricos importantes, como a oficialização do Carnaval de São Paulo em 1967 e a repressão sofrida durante a ditadura militar, incluindo a invasão policial da quadra da Unidos do Peruche, em 1974, e a morte de Pato N’Água, ligado à escola Vai-Vai. Entre as principais reivindicações do movimento estão o reconhecimento do samba como cultura e trabalho, o financiamento público das manifestações populares, a defesa do Estado laico, o combate ao racismo e a responsabilização de quem ameaça a democracia.
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Com a mobilização, os sambistas reforçam a importância do samba como expressão cultural e sua ligação profunda com as lutas sociais, convidando o público a participar e fortalecer essa tradição no coração de São Paulo.


