Exposição coletiva propõe diálogo entre pintura e mundo
De 14 de novembro de 2026 a 28 de fevereiro de 2027, a Casa de Cultura do Parque apresenta a exposição “Entre nós e as coisas”, que faz parte do III Ciclo Expositivo do ano. Com curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, a mostra reúne obras de Cassio Michalany, Célia Euvaldo, Elizabeth Jobim, João Trevisan, Matheus Machado e Renata Tassinari. O texto crítico é assinado pela curadora Fernanda Albuquerque.
Os artistas, vindos de diferentes gerações e com processos distintos, não buscam uma ideia única de abstração. Ao contrário, conectam-se pela capacidade de transformar a pintura em um espaço de investigação. A exposição parte da obra de Cassio Michalany (São Paulo, 1949-2024), cuja trajetória é marcada por uma crítica à pintura como meio de representar o mundo. Para ele, a abstração não significa afastamento da realidade, mas uma forma alternativa de aproximação.
Cor e corpo: novas dimensões da pintura
Em Michalany, a cor se revela como matéria essencial. Seus trabalhos, parecidos mas jamais iguais, criam relações delicadas e precisas entre as cores, onde a simplicidade da estrutura esconde uma complexidade perceptiva. A seleção da mostra inclui obras variadas de diferentes fases de sua produção, que vão do óleo sobre tela aos esmaltes em madeira, além dos desenhos a lápis de cor.
Célia Euvaldo (São Paulo, 1955) explora o encontro entre o movimento do pincel, a textura da tinta e a superfície branca da tela. Nas obras recentes, cores vibrantes substituem os habituais tons de preto e branco, conferindo às telas uma vibração e um temperamento próprios, quase como se a cor tivesse corpo.
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Fonte: agazetadorio.com.br
Essa relação entre pintura e corpo se aprofunda no trabalho de Elizabeth Jobim (Rio de Janeiro, 1957), onde a costura transforma a superfície em um espaço de encontros. Tecidos pintados são unidos, dobrados e interrompidos, conferindo à pintura uma dimensão tátil e escultórica.
Espaços e memórias em diálogo com a pintura
João Trevisan (Brasília, 1986) também traz uma conversa entre planos e espaços. Suas obras “Maquetinhas, Afetinhos e Canaletinhas duplas” ganham tridimensionalidade por meio de cortes em madeira que dão forma às pinturas, criando objetos pictóricos onde o contraste entre desenhos geométricos e a gestualidade manual é evidente.
Matheus Machado (Jacareí/SP, 1987) aproxima a geometria abstrata a memórias da cultura visual popular. Suas composições acumulam camadas de tinta e cores separadas por linhas marcantes, unindo rigor e uma imprecisão que convida à contemplação atenta.
Já Renata Tassinari (São Paulo, 1958) apresenta uma variedade de trabalhos que transitam entre pintura e objeto, chegando a flertar com a ideia de “ser coisa”, como demonstra a obra Sem título (1989). Nesses trabalhos, acrílico, madeira, papel e moldura se misturam e participam da construção da obra, rompendo posições fixas.
O III Ciclo Expositivo e sua proposta de revisitação histórica
“Entre nós e as coisas” integra o III Ciclo Expositivo, idealizado pelo Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, além do patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú, com apoio de Casal Garcia, Interfood e mídia da Catraca Livre. O ciclo propõe revisitar e reelaborar o passado por meio de produções artísticas que, quando justapostas, abrem outras interpretações para narrativas históricas que pareciam encerradas.
Além da coletiva, o ciclo inclui as exposições “Dois de paus”, de David Almeida e Mauricio Parra (Gabinete), e “Linhas de origem”, de Kaya Agari (Projeto 280×1020). Também fazem parte da programação “Metragens”, de Pablo Accinelli e Gustavo Silvamaral, e “O tudo e o todo”, de André Vargas, no projeto Dando Bandeira. Na Sala Jatobá, Jordi Burch apresenta a videoinstalação “A luz que a figura vê”, que compara sítios arqueológicos em Portugal e no Brasil, disponível para visitação nos dias 14 e 15 de outubro.
A Casa de Cultura do Parque: um espaço para o encontro com a arte contemporânea
Localizada em frente ao Parque Villa-Lobos, no Alto de Pinheiros, São Paulo, a Casa de Cultura do Parque é um espaço plural dedicado a promover reflexões sobre temas contemporâneos. Seu calendário inclui exposições de arte, shows, palestras, cursos e oficinas, ampliando o acesso e a apreciação cultural. O espaço mantém parceria institucional com o Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo), uma OSCIP dedicada a ampliar o conhecimento e o diálogo artístico.


