Projeto CABAÇACABEÇA: Arte e Comunidade em Diálogo
Na Casa de Cultura do Parque, São Paulo, o mural colaborativo “CABAÇACABEÇA” estreia em 14 de novembro de 2026, trazendo uma linguagem coletiva e plural. Concebido por Pedro França em parceria com o grupo de pesquisa PACTO-USP e o espaço cultural independente Casa Dinegro, o projeto envolve ainda o Barraco Escola do Instituto Acaia e o Instituto Rogacionista CCA Madre Nazarena, somando forças em um trabalho que ultrapassa o simples ato de pintar um mural.
Com cerca de sete metros e composto por módulos de cerâmica, o mural nasceu de quatro oficinas realizadas em ambientes diferentes: três na Casa Dinegro e uma na Casa de Cultura do Parque. Participantes de várias instituições das favelas do Ceasa, na Vila Leopoldina, se encontraram para trabalhar a argila, explorando suas formas, limites e possibilidades. A inspiração veio da ideia de arquipélago, proposta pelo pensador Édouard Glissant, que entende o mundo como um conjunto de partes diversas, conectadas por encontros e trocas, e não por centralização ou homogeneidade.
Oficinas e Expressões Culturais
Nas oficinas, emergiram figuras que refletem a diversidade cultural e simbólica da região: animais, alimentos, tecnologias e corpos celestes tomaram forma na argila. Após a queima das peças, o mural foi dividido em duas partes, uma das quais está instalada na Casa Dinegro e a outra no Jardim das Paineiras da Casa de Cultura do Parque, criando um diálogo entre os espaços.
O programa Chão Comum, que acolhe essa iniciativa, busca integrar arte, educação e sociedade por meio de processos criativos que envolvem práticas pedagógicas. Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, destaca que o projeto estabelece relações dialógicas entre territórios e agentes do circuito artístico, expandindo os limites da Casa de Cultura do Parque e fomentando novas formas de existir dentro da diversidade contemporânea.
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Fonte: edemossoro.com.br
Figuras e Histórias que Habitam o Mural
Erika Inforsato, uma das idealizadoras, conta que as imagens surgidas nas oficinas pediam espaço para acomodar múltiplos mundos. Peixes, tigres, sereias, cabaças e até homenagens apareceram, compondo uma trama rica de símbolos e memórias. As mãos dos artistas acrescentaram elementos como o rio e a livusia, transformando a argila em cerâmica e fortalecendo os vínculos de amizade entre os participantes.
Além da inauguração em 14 de novembro, a programação da Casa de Cultura do Parque inclui um encontro com os artistas no dia 29, às 11h, para conversar sobre o processo de criação das oficinas colaborativas. À tarde, às 14h, o público poderá visitar a outra parte do mural exposta na Casa Dinegro, na Vila Leopoldina, ampliando o acesso e o diálogo com o trabalho.
III Ciclo Expositivo: Diversidade em Exposição
O mural integra o III Ciclo Expositivo da Casa de Cultura do Parque, que apresenta ainda a coletiva “Entre nós e as coisas” na Galeria do Parque, além de trabalhos como “Dois de paus”, de David Almeida e Mauricio Parra, e “Linhas de origem”, de Kaya Agari, no Projeto 280×1020. Na Sala Jatobá, a videoinstalação “A luz que a figura vê”, de Jordi Burch, compara sítios arqueológicos de Portugal e do Brasil, em exibição nos dias 14 e 15 de outubro.
Outras exposições em cartaz incluem “Metragens”, de Pablo Accinelli e Gustavo Silvamaral, no deck da Casa, e “O tudo e o todo”, de André Vargas, parte do projeto Dando Bandeira. O III Ciclo Expositivo é idealizado pelo Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e conta com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú, além do apoio de Casal Garcia, Interfood e mídia da Catraca Livre.
Ficha Técnica e Apoios
O projeto “CABAÇACABEÇA” é resultado da colaboração entre Pedro França, Jaiane Damasceno, Daiane Damasceno, Deusvaldo Pereira e Erika Inforsato. Participaram crianças, jovens e adultos das favelas do Ceasa, além das equipes do Barraco Escola, CCA, Casa Dinegro e PACTO-USP.
O registro fotográfico ficou a cargo de Deusvaldo Pereira, com apoio institucional da Casa Dinegro e do grupo PACTO-USP. Agradecimentos especiais vão para o Barraco Escola do Instituto Acaia, Centro para Crianças e Adolescentes – CCA Madre Nazarena, e colaboradores locais.
A Casa de Cultura do Parque
Situada em frente ao Parque Villa-Lobos, no Alto de Pinheiros, a Casa de Cultura do Parque é um espaço plural dedicado a promover reflexões sobre temas contemporâneos por meio de atividades culturais e educativas, como exposições, shows, palestras, cursos e oficinas. Em parceria com o Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo), a Casa tem como missão ampliar o acesso e a apreciação da arte e do conhecimento na cidade de São Paulo.


