Experiências da Bahia ganham espaço no 4º Encontro Internacional de Educação Midiática
A rede estadual de ensino da Bahia marcou presença no 4º Encontro Internacional de Educação Midiática, realizado em São Paulo no dia 21 de junho. A participação contou com representantes do Colégio Estadual do Campo Filinto Justiniano Bastos, localizado em Seabra, na Chapada Diamantina, e do Instituto Anísio Teixeira (IAT), órgão vinculado à Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC). O professor de Língua Portuguesa Reginaldo Silva Araújo e a diretora Águida Rodrigues representaram a escola, enquanto Carla Aragão, diretora de Inovação e Tecnologia do IAT, participou de discussões sobre educação digital, formação crítica e inovação pedagógica.
Projetos que articulam educação midiática, diversidade e cidadania digital
Durante o painel “Educação midiática para todos – exemplos práticos”, Reginaldo Araújo apresentou o projeto “Games transformadores: unindo mundos étnico-raciais e cidadãos”, desenvolvido com estudantes do Ensino Médio e cursos técnicos. A iniciativa utiliza jogos confeccionados com materiais recicláveis para abordar temas como racismo, discurso de ódio, fake news e convivência digital. O projeto conecta educação midiática às relações étnico-raciais e estimula o protagonismo dos alunos, promovendo reflexões sobre o uso consciente das redes sociais, da Inteligência Artificial (IA) e das tecnologias digitais no cotidiano escolar.
A diretora Águida Rodrigues levou para o encontro a experiência do “Café das Origens”, uma ação pedagógica e cultural criada para resgatar as ancestralidades negras e indígenas dos estudantes das escolas do campo. O projeto integra arte, literatura, cultura local e estudos sobre a história do café, fomentando o pertencimento, a valorização identitária e a integração entre diferentes áreas do conhecimento. “Seu diferencial está na valorização das manifestações culturais locais e no protagonismo dos estudantes. É um projeto que surgiu a partir de um olhar crítico sobre uma atividade pedagógica que estava ‘escondida’ em uma sala de aula”, explica Águida.
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Reconhecimento nacional e impacto no ensino da Bahia
O Colégio Estadual do Campo Filinto Justiniano Bastos tem recebido reconhecimento em âmbito nacional por suas iniciativas em cidadania digital e educação midiática. Em fevereiro deste ano, o professor Reginaldo Araújo, a estudante Poliana Fraga e a diretora Águida Rodrigues conquistaram o 1º lugar no Prêmio Cidadania Digital em Ação, promovido pela SaferNet Brasil e pelo Governo do Reino Unido, em São Paulo. Reginaldo também alcançou a 2ª colocação como orientador da estudante Deane Mendes no 6º Concurso Cultural Jovem Jornalista, organizado pelo Jornal A Tarde. A estudante Poliana, por sua vez, ingressou no curso de Jornalismo da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), resultado das atividades desenvolvidas na escola.
IAT e a implementação da educação digital nas escolas estaduais baianas
O Instituto Anísio Teixeira (IAT) também apresentou suas iniciativas no painel “Desafios da curricularização da educação midiática – do conceito à prática”. Carla Aragão destacou o Projeto Agência de Notícias na Escola, lançado em 2023 para incentivar a produção de conteúdos jornalísticos por estudantes com mediação dos professores. Atualmente, o projeto conta com 313 agências implantadas e outras 180 em fase de implantação nos 27 Territórios de Identidade da Bahia.
Segundo Carla, o projeto reflete mais de 15 anos de trabalho do IAT na formação de professores e na produção de mídias estudantis. “Essa iniciativa amplia o protagonismo dos estudantes, fortalece competências como leitura, pesquisa, argumentação e escrita, e promove novas formas de ensino e aprendizagem por meio das linguagens multimídia. O trabalho dialoga diretamente com as transformações curriculares e a construção do Plano de Educação Digital e Inovação Pedagógica da rede estadual”, afirma.
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Fonte: vitoriadabahia.com.br
Educação midiática e inteligência artificial: o debate atual
O tema central do encontro deste ano foi “Inteligência Artificial e a curricularização da educação midiática”, motivado pela Resolução CNE/CEB nº 2/2025, que tornou obrigatória a educação digital e midiática nos currículos da Educação Básica brasileira. O debate reforça a necessidade de integrar essas competências ao cotidiano escolar, promovendo uma formação crítica e alinhada às demandas contemporâneas.


