Operação de prevenção do TSE no primeiro turno
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) inicia o primeiro turno das eleições, neste domingo (4), com uma operação estruturada para enfrentar riscos já identificados em pleitos anteriores, além de novas ameaças detectadas na reta final da votação. Entre as medidas, destaca-se a criação de uma sala exclusiva para as big techs, voltada ao combate à desinformação, além do acompanhamento das condições climáticas em regiões críticas do país. O tribunal também firmou um acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) para evitar bloqueios em rodovias federais, como os registrados em 2022.
Atenção a possíveis interferências e ataques digitais
Na quinta-feira (2), aumentou o receio entre membros do TSE sobre possíveis tentativas de pressão ou interferência estrangeira no processo eleitoral, especialmente por meio de ataques cibernéticos. A tensão interna cresceu, elevando a vigilância sobre esses riscos. O presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, no entanto, afirmou a interlocutores que, até o momento, não há motivos para alerta reforçado. Em contato contínuo com órgãos de segurança, a cúpula do TSE recebe informações de inteligência relacionadas à segurança digital e eventuais ameaças.
As urnas serão fechadas às 17h ou assim que as filas formadas pelos eleitores que chegarem até esse horário forem encerradas. Ainda não há previsão para a divulgação dos resultados da totalização dos votos.
Estrutura de monitoramento e parceria com plataformas digitais
A operação do tribunal envolve múltiplas frentes. Uma delas é a sala de monitoramento de riscos de desinformação, que reunirá representantes das principais plataformas digitais que atuam no Brasil. Entre as empresas parceiras confirmadas para presença na sede do TSE no domingo estão Meta (controladora do Facebook, Instagram, WhatsApp e Threads), X, TikTok, Kwai, Telegram e Google. Apenas o LinkedIn não confirmou participação presencial.
O objetivo dessa cooperação é intensificar a troca de informações e garantir uma resposta coordenada diante de conteúdos falsos ou potencialmente nocivos. As plataformas terão autonomia para agir imediatamente quando identificarem situações que exigem intervenção rápida, evitando que informações incorretas se espalhem entre diferentes redes.
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O monitoramento será proativo: as equipes poderão agir mesmo sem provocação externa, acompanhando sinais de risco e articulando respostas para proteger a integridade do processo eleitoral nos momentos mais sensíveis.
Monitoramento de violência e condições climáticas durante a votação
Além da segurança digital, o TSE reservou uma estrutura para acompanhar episódios de violência contra candidatos ou eleitores, bem como ameaças ligadas às sessões eleitorais. Caso necessário, agentes de segurança poderão ser acionados para intervenções.
Outro aspecto da operação é o monitoramento das condições climáticas. Previsões de chuvas no Sul do país e de estiagem no Norte serão acompanhadas por uma equipe dedicada, que atuará com uma sala de situação climática para avaliar os impactos meteorológicos sobre a votação e a logística eleitoral.
Em situações de interrupção do trânsito provocadas por enchentes ou seca, as Forças Armadas e os tribunais locais poderão atuar para garantir a continuidade do processo eleitoral. Os tribunais da Justiça do Trabalho colaboram com o TSE, devido à ampla presença em diversas regiões do país.
Acordo com a PRF para garantir livre circulação de eleitores
O presidente do TSE, Kassio, assinou um acordo com a Polícia Rodoviária Federal para assegurar a circulação dos eleitores durante os dias de votação. A portaria determina que as ações da PRF, como fiscalização e patrulhamento, não podem obstruir o deslocamento, devendo ser planejadas para evitar retenções.
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Essa medida foi proposta pelo diretor-geral da PRF, Antônio Fernando Oliveira, que buscou respaldo jurídico para as operações nos dois turnos eleitorais. Em agosto de 2023, Silvinei Vasques, então diretor-geral da PRF, foi preso em investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de interferência no segundo turno das eleições de 2022, período em que era subordinado próximo de Jair Bolsonaro (PL).
A portaria assinada por Kassio e pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, estabelece que qualquer bloqueio em rodovia federal nos dias 4 e 25 de outubro deverá ser comunicado antecipadamente à presidência do Tribunal Regional Eleitoral local, incluindo justificativa, finalidade e rotas alternativas, exceto em casos de flagrante.
Comparativo da gestão atual com processos anteriores
A gestão do TSE em 2022, conduzida por Alexandre de Moraes, teve maior visibilidade e protagonismo que a atual, com Kassio Nunes Marques à frente da organização das eleições. Naquele ano, a corte ganhou destaque especialmente na fase final do processo.
Entre os episódios de maior repercussão, o caso envolvendo Nossa Senhora Aparecida gerou decisões conflitantes e envolvimento do Supremo Tribunal Federal (STF). Outro ponto delicado foi o cancelamento do debate da Rede Globo, que suscitou discussões sobre a presença de candidatos e a proibição de exibição de cadeiras vazias dos ausentes.


