Diagnóstico da Educação Básica no Brasil
Um relatório recente divulgado pela Rede EJA e Inclusão Produtiva mostra que o Brasil ainda enfrenta um grande desafio educacional: cerca de 64 milhões de pessoas com 15 anos ou mais não completaram a educação básica. Essa pesquisa, resultado da colaboração de 16 organizações da sociedade civil, tem como objetivo fortalecer a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e ampliar políticas de inclusão educacional no país.
Redução Insuficiente e Desigualdades Regionais
O estudo, intitulado “População de 15+ fora da escola, demanda potencial por EJA e transições para o trabalho: diagnóstico e evidências para políticas públicas”, revela que, apesar do número de pessoas fora da escola ter diminuído nos últimos anos, essa redução acontece em um ritmo lento e insuficiente para resolver o problema de forma efetiva. De acordo com os pesquisadores, o declínio não está ligado principalmente à ampliação do acesso à EJA, mas sim ao envelhecimento e à maior mortalidade entre aqueles que não concluíram a educação básica. Dados apontam que, desde 2021, para cada estudante que finalizou essa etapa pelo EJA, mais de seis pessoas faleceram sem concluir os estudos.
Além disso, o levantamento destaca desigualdades regionais marcantes. Os estados das regiões Norte e Nordeste concentram os maiores índices de escolaridade incompleta, com mais da metade de sua população acima de 15 anos sem concluir a educação básica.
Impactos no Mercado de Trabalho e Potencial Econômico
Essas lacunas educacionais refletem diretamente no mercado de trabalho. Entre aqueles que não terminaram o ensino fundamental, apenas 43,1% participam da força de trabalho, enquanto entre os que concluíram o ensino médio, o índice sobe para 73,5%. Isso evidencia a estreita relação entre escolaridade e oportunidades de emprego e renda.
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Fonte: edemossoro.com.br
O relatório estima que a conclusão da educação básica por essa parcela da população poderia representar um aumento anual de cerca de R$ 66 bilhões em rendimentos do trabalho, o que corresponde a aproximadamente 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Esse valor considera tanto o crescimento da renda dos trabalhadores já empregados quanto a inserção de novos profissionais qualificados no mercado.
Avanços na Permanência Escolar e Programas de Incentivo
Embora o número de brasileiros sem escolaridade completa seja alto, dados recentes apontam avanços na permanência dos jovens na educação básica. Conforme o Censo Escolar de 2025, a taxa de evasão no ensino médio da rede pública caiu para 2,5%, o menor índice desde o início da série histórica do Ministério da Educação, em 2007.
Esse progresso está associado ao programa Pé-de-Meia, lançado em 2024, que incentiva estudantes do ensino médio a permanecerem na escola por meio do pagamento de bolsas e de uma poupança liberada após a conclusão de cada ano letivo. O programa também oferece incentivos adicionais para alunos que participam do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
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Fonte: tcheagora.com.br
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Fonte: feirinhadesantana.com.br
Segundo o Anuário Estatístico da Educação Básica, em 2024, 92,1% dos adolescentes entre 15 e 17 anos estavam matriculados em alguma instituição de ensino, mas apenas 82,2% frequentavam o ensino médio, etapa adequada para essa faixa etária, o que evidencia a persistência de atrasos escolares e interrupções na trajetória educacional.
Outro indicador positivo é a queda da taxa de distorção idade-série, que mede o percentual de estudantes com dois ou mais anos de atraso escolar, que passou de 24,3% em 2022 para 17,6% em 2025.
Originalmente focado em estudantes do ensino médio beneficiários do Bolsa Família, o programa Pé-de-Meia foi ampliado para incluir alunos da Educação de Jovens e Adultos e inscritos no Cadastro Único, com o objetivo de reduzir o abandono escolar e ampliar o acesso à conclusão da educação básica.


