Debate sobre Cultura e Sustentabilidade no SXSW
A SP House, espaço de negócios e tecnologia do Governo de São Paulo, foi palco de um importante painel no South by Southwest (SXSW), um dos maiores eventos de inovação do mundo. No último sábado (14), o encontro trouxe à tona discussões sobre a proteção ambiental e o fortalecimento dos territórios indígenas, além de ressaltar o papel das artes e dos conhecimentos tradicionais na busca de soluções para os desafios climáticos. Um dos destaques foi o projeto Guardiões da Floresta, que remunera indígenas pelo monitoramento e recuperação de áreas degradadas, exemplificando como iniciativas locais podem ter um impacto significativo.
O painel intitulado “Ancestral futures: climate action through arts, culture and innovation” (“Futuros ancestrais: ação climática por meio das artes, da cultura e da inovação”, em tradução livre), contou com a participação do cacique Cristiano Kiririndju, coordenador de Políticas para Povos Indígenas de SP, Vivian Nascimento, do Valor Radar; Jandaraci Araujo, cofundadora do Instituto Conselheira 101; e Edith Bertoletti, COO do Grupo Goodman no Brasil. Durante a discussão, o cacique abordou como os conhecimentos ancestrais dos povos indígenas podem enriquecer o debate contemporâneo sobre sustentabilidade e mudanças climáticas.
Contribuições dos Povos Indígenas para a Sustentabilidade
No decorrer do debate, Cristiano Kiririndju enfatizou a relevância dos saberes tradicionais dos povos indígenas, que, segundo ele, tecem uma relação única com a natureza e o território. “A população indígena detém um conhecimento ancestral que ensina a equilibrar a natureza com o progresso”, destacou, fazendo referência à importância das práticas que foram transmitidas ao longo de gerações e que resultaram em grandes áreas preservadas em terras indígenas.
O cacique aproveitou a oportunidade para informar o público do SXSW sobre a diversidade indígena no estado, que inclui cinco etnias com terras reconhecidas – Guarani, Tupi-Guarani, Krenak, Terena e Kaingang – além de uma população estimada em cerca de 70 mil indígenas vivendo em contextos urbanos. Kiririndju acredita que espaços como o SXSW são fundamentais para fomentar diálogos acerca do papel dos povos tradicionais nas discussões ambientais em uma escala global. “Levo o que ouço nas aldeias: a importância do fortalecimento cultural e do saber tradicional”, reafirmou.
Conexão com a Agenda Global de ESG
O painel também fez uma conexão com a agenda global de ESG (Ambiental, Social e Governança) e com marcos internacionais que reconhecem a cultura como um dos pilares do desenvolvimento sustentável. O debate ressaltou a importância da imaginação, empatia e colaboração coletiva como ferramentas para promover mudanças significativas. “A questão climática transcende a mera contagem de carbono; é uma questão de mudança de consciência sobre como desejamos viver nos próximos anos”, comentou Edith Bertoletti. A executiva ainda observou que a mudança climática está agindo como um catalisador para ações necessárias, impulsionando a percepção de risco nas empresas. “Hoje, os setores mais diversos precisam se preocupar com eventos como enchentes e secas, que impactam diretamente a operação dos negócios”, acrescentou.
SP House no SXSW: Um Espaço de Inovação e Conexão
Esta é a terceira vez que a SP House participa do SXSW, que ocorre em Austin, Texas, entre os dias 13 e 16 de março. Este ano, o espaço do Governo de São Paulo ampliou sua área para 2,2 mil m², quase o dobro da edição anterior, com a expectativa de receber até 600 visitantes simultaneamente. O evento oferecerá cerca de 60 horas de conteúdo, abordando temas variados entre dois palcos principais, além de encontros institucionais e discussões sobre parcerias internacionais.
Com o tema “We are borderless”, a edição deste ano convida à reflexão sobre a troca de ideias, talentos e oportunidades em um mundo cada vez mais interconectado. A SP House se configura como um ponto de encontro para empreendedores, executivos, investidores, pesquisadores, gestores públicos e criadores.


