Nova Normativa Reforça a Prática Cívica
A execução do Hino Nacional Brasileiro nas escolas da rede municipal de Sorocaba passou a ser uma obrigação, conforme a publicação da Instrução Normativa nº 06, datada de 1º de abril de 2026. Essa determinação, veiculada no Jornal do Município na última segunda-feira (6), estabelece que o ato deve ocorrer semanalmente, preferencialmente às segundas-feiras, antes do início das aulas. A medida visa reforçar uma prática que já era realizada em algumas unidades de ensino da cidade.
O documento regulamenta que, além do Hino Nacional, também deve ser tocado o Hino Oficial de Sorocaba, com a participação de alunos, professores e da comunidade escolar. É importante ressaltar que, em caso de feriado ou ponto facultativo, a execução do hino deve ocorrer no primeiro dia útil seguinte à data em questão. Nas escolas que oferecem ensino em período parcial, a norma orienta a inclusão de estudantes de diferentes turnos, e as instituições que atendem a Educação de Jovens e Adultos (EJA) devem garantir a participação de todos os alunos.
Organização e Diretrizes para a Execução
A organização da execução dos hinos deverá ser supervisionada pelo corpo docente, assegurando que os estudantes estejam reunidos em um mesmo local para promover a participação coletiva. A Secretaria da Educação ficará responsável por definir situações excepcionais ou casos não previstos na normativa. Essa nova diretriz tem como objetivo não apenas resgatar a tradição cívica nas escolas, mas também fortalecer a identidade nacional entre os estudantes.
Ainda que a nova norma municipal esteja em vigor, a legislação estadual relacionada ao assunto permanece pendente de regulamentação. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos sancionou a lei nº 18.426, em 13 de março de 2026, que torna obrigatória a execução semanal do Hino Nacional nas escolas públicas e privadas de ensino fundamental e médio em todo o Estado de São Paulo. De acordo com a Casa Civil, essa nova legislação visa atualizar normas anteriores da década de 1990, ampliando a exigência para alunos do ensino médio. Apesar disso, segundo o texto, não há previsão de multas ou penalidades para o caso de descumprimento.
A Prática Já Era Comum em Sorocaba
Nas escolas municipais de Sorocaba, a execução do Hino Nacional já fazia parte da rotina escolar antes mesmo da nova normativa. Conforme informações da Secretaria da Educação, a obrigatoriedade estava prevista na Lei Municipal nº 2.121, de 1981, que determina a execução do hino nas unidades escolares, com a frequência mínima de duas vezes por semana. Ademais, uma instrução normativa anterior, publicada em 2019, já estabelecia a execução semanal dos hinos Nacional e de Sorocaba, às segundas-feiras, no início das atividades escolares, em conjunto com o hasteamento das bandeiras.
Com a nova legislação estadual, a Prefeitura de Sorocaba esclarece que não haverá mudanças na rotina das escolas municipais. Segundo a administração, a rede já se adequou às exigências da nova lei, e a prática dos hinos é regularmente adotada nas unidades de ensino. A execução do Hino Nacional faz parte de um conjunto de ações voltadas à formação cidadã dos alunos, contribuindo para o respeito aos símbolos nacionais e para o fortalecimento da identidade cívica.
Visões Críticas sobre a Nova Normativa
Para o professor de História Henrique de Miranda Silva, a obrigatoriedade da execução do Hino Nacional deve ser abordada com cautela, principalmente considerando os desafios estruturais enfrentados pela educação. “A execução do Hino Nacional em si não é algo negativo. Em uma sociedade cada vez mais fragmentada, momentos cívicos podem auxiliar na promoção de um certo senso de coletividade entre os jovens. Contudo, essa medida é insuficiente diante de problemas mais profundos que afetam essa geração,” afirma.
Ele adverte que a prática isolada pode ter pouco impacto na formação dos alunos, argumentando que “não creio que isso realmente contribua para a formação cidadã. A educação já enfrenta desafios estruturais, e essa ação pode acabar sendo apenas mais uma tarefa no cotidiano escolar, sem um efeito real no entendimento dos estudantes.”
Histórico e Relevância dos Símbolos Nacionais
Henrique também menciona que a valorização de símbolos nacionais nas escolas não é uma novidade e já teve maior presença em períodos distintos da história do Brasil. “O reconhecimento de símbolos nacionais foi mais comum em épocas como as décadas de 1980 e 1990, além do regime militar. Contudo, isso não garantiu que houvesse uma formação cidadã mais consciente ou participativa,” analisa. Para ele, o uso desses símbolos precisa ser acompanhado de um processo reflexivo para que ganhe significado real no ambiente escolar.
Há um real risco de que a execução do hino se torne apenas uma formalidade dentro da rotina escolar. “Sem um trabalho pedagógico mais abrangente, existe uma grande probabilidade de que a execução do hino se transforme em uma atividade mecânica, desprovida de significado para os alunos. Além disso, essa medida pode impactar o tempo dedicado às aulas, sem trazer benefícios concretos,” conclui.
Integração ao Conteúdo Pedagógico
Como proposta alternativa, o professor sugere que a prática seja integrada ao conteúdo pedagógico para alcançar resultados mais significativos. “Para que essa iniciativa tenha valor educativo, ela deve estar interligada ao ensino, especialmente nas disciplinas de ciências humanas, promovendo reflexões sobre identidade, cidadania e participação. Se isso não ocorrer, será difícil alcançar um efeito real,” finaliza, enfatizando que a formação cidadã demanda ações mais abrangentes que vão além de iniciativas pontuais no ambiente escolar.


