Expansão das Investigações da Operação Copia e Cola
A Procuradoria Regional da República da 3ª Região anunciou que as investigações da Operação Copia e Cola devem se expandir, resultando em novos inquéritos autônomos relacionados a contratos de empresas médicas envolvidas na gestão da saúde em Sorocaba. De acordo com a procuradoria, o objetivo é aprofundar as apurações sobre eventuais desvios de recursos públicos, contratos suspeitos e movimentações financeiras que foram identificadas durante a investigação inicial. Além disso, surgiram novos indícios que podem levar a denúncias contra os atuais investigados ou outros novos suspeitos.
Em fevereiro deste ano, o Ministério Público Federal (MPF) já havia denunciado 13 indivíduos sob alegações de crimes vinculados a contratos firmados com a Prefeitura de Sorocaba na área da saúde. Entre os denunciados estavam o prefeito Rodrigo Manga, um empresário considerado próximo ao chefe do Executivo, e um casal de pastores, que são cunhados de Manga, além de outros envolvidos. As acusações incluem organização criminosa, peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, entre outros delitos relacionados à administração pública.
Desdobramentos da Operação
Leia também: Concurso da Saúde em Sorocaba SP: edital com 26 vagas é lançado!
Leia também: Conflito na CPI da Saúde em Sorocaba: Presidente tem desabafo ríspido contra a oposição
Essas acusações são frutos da Operação Copia e Cola, que está sendo conduzida pela Polícia Federal e está vinculada ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3). A investigação se concentra em supostos desvios de recursos públicos em contratos destinados à administração de unidades de saúde do município, com desdobramentos ocorrendo em abril e novembro de 2025. Em sua fase mais recente, Rodrigo Manga foi afastado de suas funções por um período de 180 dias.
Embora o afastamento fosse válido até 4 de maio de 2026, o prefeito conseguiu retornar ao cargo após uma decisão liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 1º de abril. A Corte posteriormente decidiu manter a suspensão da medida cautelar imposta pelo TRF3 até um julgamento definitivo, uma decisão que foi reforçada recentemente.
Fundamentos da Denúncia
Ao detalhar os fundamentos das denúncias, o MPF destacou que suas acusações se baseiam em um “extenso conjunto probatório”, que teria revelado a existência de uma organização criminosa estruturada para desviar verbas da saúde municipal. Entre os elementos coletados, estão relatórios fraudulentos, mensagens, gravações de áudio, movimentações financeiras suspeitas e a apreensão de R$ 1,3 milhão em dinheiro. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras também apontaram movimentações incomuns de R$ 6,5 milhões.
Além disso, auditorias realizadas pela Controladoria-Geral da União e pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo identificaram um suposto sobrepreço de 40,64% em contratos relacionados à saúde, além da utilização de situações emergenciais para justificar contratações sem licitação. O MPF alega que recursos públicos foram desviados para cobrir despesas pessoais de agentes políticos e para encobrir patrimônio por meio de terceiros.
Impacto na Transparência e Desdobramentos Futuros
O esquema investigado, segundo a assessoria da procuradoria, comprometeu a transparência ao misturar verbas federais e municipais, dificultando a fiscalização. A criação de “emergências” foi utilizada para contornar licitações, instrumentalizando a administração da saúde para desviar recursos públicos, o que prejudicou a eficiência e a ética no serviço municipal.
A procuradoria também revelou que solicitou o desmembramento das investigações em procedimentos independentes, direcionados à análise de outras empresas médicas subcontratadas e contratos financiados apenas com verbas municipais e estaduais. Parte dessas novas apurações poderá ser encaminhada ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em nível estadual, com a ressalva de que não há arquivamento de fatos relacionados e que novas medidas podem ser adotadas conforme as investigações avançam.
Reações e Comentários
Em busca de mais informações, a equipe do Cruzeiro do Sul tentou contato com outros órgãos federais envolvidos, mas recebeu respostas cautelosas sobre o andamento das investigações. A Polícia Federal reiterou que não confirma nem divulga informações sobre possíveis envolvidos, operações ou inquéritos em andamento. Por sua vez, o TRF3 afirmou que os autos estão sob segredo de Justiça e não têm autorização para divulgar informações do processo.
A defesa de Rodrigo Manga, representada pelo escritório Bialski Advogados Associados — que já atuou em casos de figuras conhecidas como Sérgio Cabral e Milton Ribeiro — também foi contatada para comentar o andamento do caso, porém, não optou por se pronunciar até o momento. O espaço continua aberto para possíveis declarações.


