Clubes Avaliam Impactos da MP 1.394/2026
Corinthians, Palmeiras e São Paulo ainda não definiram o futuro de seus contratos com empresas de apostas depois da publicação da Medida Provisória 1.394/2026. A norma, que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no Brasil, entrou em vigor imediatamente após sua divulgação na última sexta-feira (25). Com acordos de longo prazo firmados com patrocinadores do setor, os clubes monitoram a tramitação da medida no Congresso Nacional, onde precisa ser analisada dentro do prazo constitucional para se tornar definitiva.
Prazo para Retirada de Publicidade e Restrições
Além da proibição, a MP estipula um cronograma para a retirada da publicidade relacionada às apostas. Até as 23h59 de 5 de outubro, os materiais publicitários e de patrocínio devem ser removidos voluntariamente. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos de apostas terão que sair do ar. Essa medida impacta diretamente uma das principais fontes de receita dos clubes brasileiros, que receberam cerca de R$ 1,03 bilhão em patrocínios do setor em 2025, segundo levantamento recente.
Corinthians: Contrato com Esportes da Sorte em Suspense
O Corinthians mantém um contrato com a Esportes da Sorte que foi renovado este ano e vai até dezembro de 2029. O acordo prevê um pagamento fixo de R$ 150 milhões por temporada, podendo chegar a R$ 200 milhões conforme o cumprimento de metas. Para 2026, o valor fixo previsto é de R$ 160 milhões. A empresa já indicou que pode acionar cláusula contratual diante da proibição das apostas, mas até o momento não comunicou oficialmente a suspensão do patrocínio. O clube acompanha a situação e aguarda uma definição da patrocinadora antes de traçar uma estratégia definitiva, dada a importância do contrato para seu planejamento financeiro.
Palmeiras Observa Cenário antes de Decidir
No Palmeiras, o contrato vigente com a Sportingbet prevê R$ 100 milhões fixos por temporada, com potencial de chegar a R$ 170 milhões com metas cumpridas. A diretoria considera o acordo válido até que haja uma definição sobre a MP e os impactos legais. Por ora, o clube opta por não antecipar alternativas comerciais enquanto a medida provisória ainda tramita no Congresso.
São Paulo Analisa Cláusula para Encerramento
O São Paulo renovou seu contrato com a Superbet em abril de 2025, válido até o fim de 2030. O acordo pode somar até R$ 1 bilhão em seis anos, caso as metas sejam alcançadas, e inclui o naming rights do centro de treinamento da Barra Funda, que passou a se chamar SuperCT. Existe uma cláusula que permite o encerramento da parceria se as apostas esportivas forem proibidas no país. Mesmo assim, o clube e a Superbet ainda não definiram como agir diante da nova legislação.
Repercussão Econômica para o Futebol Brasileiro
A proibição das apostas esportivas representa um impacto direto na receita dos clubes da Série A. Em 2025, as apostas geraram R$ 1,03 bilhão dos R$ 3,069 bilhões em patrocínios totais desses times. Com a medida provisória em vigor, tanto clubes quanto patrocinadores monitoram não só os efeitos imediatos, mas também a tramitação no Congresso, que pode alterar o texto da norma. Até o momento, não há registro de movimentações legislativas recentes sobre a MP 1.394/2026.


