Roberto Tibiriçá e seu legado na música sinfônica brasileira
O maestro paulista Roberto Tibiriçá morreu na madrugada de sábado (3), em São Paulo, aos 72 anos. Desde 2022, ele ocupava o posto de regente titular e diretor musical da orquestra sinfônica do paraná (OSP). Sua partida causou grande comoção no meio artístico e nas instituições culturais do país.
Internado em decorrência de um câncer, Tibiriçá teve seu velório marcado para ocorrer em São Paulo, em local ainda a ser divulgado. A notícia mobilizou a Orquestra Sinfônica do Paraná e o Teatro Guaíra, que expressaram publicamente seu pesar pela perda do maestro.
Cleverson Cavalheiro, diretor-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, prestou homenagem nas redes sociais, ressaltando a influência duradoura do maestro: “Perdemos um grande maestro, mas seu legado permanecerá vivo em cada músico, em cada concerto e em cada pessoa que foi tocada por sua música.”
Uma carreira que atravessou décadas e fronteiras
Roberto Tibiriçá iniciou sua caminhada na música erudita como pianista ainda aos oito anos. Ele aprofundou seus estudos em regência com Eleazar de Carvalho, com quem colaborou por 18 anos na Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp).
Ao longo de mais de 40 anos, Tibiriçá conduziu orquestras de renome no Brasil e no exterior, incluindo a Orquestra Metropolitana de Lisboa. Entre 1984 e 1985, ele foi regente assistente no Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa. No Brasil, esteve à frente da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), da Orquestra Sinfônica Petrobrás Pró Música, Sinfônica Heliópolis e das orquestras sinfônicas de Campinas, São Bernardo do Campo e Minas Gerais.
Além da regência, o maestro atuou desde 1974 como diretor artístico em gravadoras brasileiras, sendo pioneiro nas gravações clássicas. Destaca-se o único LP brasileiro da pianista Guiomar Novaes, gravado no Museu de Arte de São Paulo (Masp) e composto exclusivamente por músicas brasileiras.
Momentos marcantes e reconhecimento
Tibiriçá participou do Projeto Aquarius em diversas edições, incluindo a Missa Campal celebrada pelo Papa João Paulo II no Aterro do Flamengo, em 1997, diante de um público estimado em cerca de 2 milhões de pessoas. No final dos anos 1980, fundou a Orquestra Nova Filarmonia, que acompanhou o tenor italiano Luciano Pavarotti em apresentações no Brasil.
Em 1995, foi eleito Músico do Ano pela crítica especializada do Rio de Janeiro e recebeu o Prêmio Estácio de Sá do Governo do Estado do Rio de Janeiro pelo seu trabalho com a OSB. Entre 2000 e 2003, foi diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica Petrobrás Pró-Música.
Desde março de 2003, ocupava a Cadeira nº 5 da Academia Brasileira de Música e, desde 2018, era membro honorário da Academia Nacional de Música (ANM), no Rio de Janeiro. Sua última apresentação ocorreu em 16 de julho, em Londrina (PR), no projeto Guaíra para Todos, à frente da Orquestra Sinfônica do Paraná.

