Uma Nova Chance para Aprender
A realidade educacional no interior de São Paulo está em transformação, graças aos programas de educação de Jovens e Adultos (EJA). Esses esforços têm como objetivo não apenas oferecer uma segunda chance para aqueles que não puderam concluir os estudos na infância, mas também combater o analfabetismo em diversas comunidades. Para muitos, como é o caso de Maria Aparecida Soares, que aos 66 anos decidiu retomar a educação, essa oportunidade é um verdadeiro renascimento.
“O sonho fica guardado, mas não morto. Ele fica vivo até a hora que você fala: ‘É agora’. Então, chegou o momento que eu falei: ‘Não dá para ficar sem saber nada, vou voltar a estudar’, porque nunca é tarde, não é?”, compartilha Maria, refletindo sobre sua jornada acadêmica no Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) de Bauru (SP). Na sua sala de aula, outros 14 alunos, com idades e histórias diversas, têm o mesmo compromisso: aprender a ler e escrever.
O impacto da alfabetização vai além da simples decodificação de letras. Para aqueles que não tiveram acesso à educação formal na infância, compreender a escrita pode representar liberdade e empoderamento. “A gente traz isso da vivência deles. A palavra ‘nuvem’, por exemplo, é algo que eles já conhecem. Mesmo assim, é crucial trabalhar com conceitos abstratos para promover um aprendizado significativo”, explica a professora Maria Cristina de Andrade, destacando a importância de relacionar o conteúdo escolar com a vivência diária dos alunos.
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O Panorama do Analfabetismo no Brasil
O quadro do analfabetismo no Brasil apresenta desafios, mas também sinaliza avanços. Dados do IBGE revelam que, em 2016, aproximadamente 7% da população acima de 15 anos era analfabeta. Seis anos depois, em 2022, esse índice caiu para 5,6%. As expectativas são otimistas, pois um novo levantamento indica que, em 2024, esse número pode ser ainda menor, atingindo 5,3%.
Eliane Aparecida Toledo Pinto, pedagoga em Bauru, ressalta a importância de continuar avançando na educação de jovens e adultos. “Apesar da redução nos números de analfabetismo, muitos desafios persistem. Temos 29% de analfabetos funcionais, que embora consigam ler, têm dificuldades em interpretar e aplicar o conhecimento em suas vidas diárias”, afirma, destacando a necessidade de políticas educacionais eficazes e acessíveis.
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Fonte: aquiribeirao.com.br
Educação no Local de Trabalho
Uma iniciativa interessante se destaca em Lins (SP), onde um frigorífico implementou um programa de ensino voltado para colaboradores que interromperam seus estudos. As aulas são realizadas durante o horário de trabalho e na própria empresa, facilitando o acesso à educação.
Além de um ano de duração, o curso combina aulas presenciais e online, usando dispositivos móveis para garantir que todos possam participar. O material didático é fornecido pelo Sesi, e um corpo docente especializado está disponível tanto em sala de aula como na plataforma virtual, garantindo um suporte contínuo.
Entre os alunos está Maiara Maranini de Brito, de 27 anos, que parou de estudar devido a questões como bullying. “Tenho um filho e eu pensei: ‘Como vou cobrar dele para terminar os estudos se eu desisti dos meus? Preciso ser um bom exemplo’”, reflete Maiara, mostrando que a busca pela educação vai além de um desejo individual.
Outra colaboradora, Leonilda Inocêncio Nazário, de 35 anos, também está aproveitando a chance de concluir seus estudos. Ela veio da Paraíba há 15 anos e deixou a escola para ajudar a sustentar a família. “Voltar a estudar é uma experiência muito boa, é a realização de um sonho antigo”, diz Leonilda, destacando a importância desse programa.
Para a professora Michele Luana Quintiliano Almeida, que acompanha esses alunos, “é gratificante ver como essa oportunidade de aprendizado transforma a vida deles. Cada aluno é importante para alguém, e isso torna essa experiência ainda mais significativa.” O apoio à educação de jovens e adultos revela-se, portanto, não apenas uma luta contra o analfabetismo, mas uma verdadeira construção de um futuro melhor para todos.


