Os Riscos do Sedentarismo em um Mundo Moderno
Praticar atividades físicas regularmente é fundamental para a saúde, tanto agora quanto para um envelhecimento saudável no futuro. Isso é crucial para a prevenção de várias doenças e para a melhoria da qualidade de vida. No entanto, uma informação pouco conhecida é que apenas ir à academia não elimina completamente o sedentarismo. Esse fenômeno é chamado por especialistas de “active couch potato”, como explica o professor Paulo Santiago, da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP.
“O active couch potato refere-se àquela pessoa que, mesmo cumprindo a recomendação mínima de atividade física — treinando de três a cinco vezes por semana por uma hora —, passa o restante do dia inativa. Não é simplesmente alguém preguiçoso, mas pode ser quem trabalha em home office ou em escritório, permanecendo na maior parte do tempo sentado, acreditando que o exercício compensa o sedentarismo do dia”, comenta o professor. Embora possam ter um bom condicionamento, essas pessoas não conseguem anular os efeitos nocivos da inatividade.
A Influência do Estilo de Vida Urbano
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Fonte: odiariodorio.com.br
Esse comportamento se tornou comum na vida moderna, com o modo de viver urbano contribuindo significativamente para o sedentarismo. No passado, atividades físicas eram mais integradas ao cotidiano, como as realizadas em fazendas e outros trabalhos que exigiam movimento constante. Com a modernização e a tecnologia, essa realidade mudou. A praticidade atual é uma faca de dois gumes: facilita a vida, mas também faz com que as pessoas passem muitas horas sentadas, seja em frente a telas ou dirigindo, como ressalta Santiago.
“Por exemplo, motoristas de aplicativo passam horas em seus veículos, que exigem pouco esforço. Além disso, a comodidade da vida moderna faz com que, após o treino, muitos continuem imóveis, mexendo em celulares ou usando controles remotos. Isso leva à perda de oportunidades de se movimentar durante o dia, como fazer tarefas domésticas, que se encaixam no conceito de Neat (Non-Exercise Activity Thermogenesis), que é a energia que o corpo gasta em atividades não estruturadas”, explica.
A Ilusão do ‘Tá Pago’
A popularização da cultura fitness tem trazido benefícios importantes para a saúde e o bem-estar da população. Contudo, muitos ainda nutrêm uma visão distorcida sobre o que significa estar saudável, utilizando a expressão “tá pago” para justificar a inatividade ao longo do dia, associando apenas a prática de exercícios à saúde. Isso é um erro. A atividade física é crucial, mas não deve ser encarada como um licenciamento para o sedentarismo.
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Fonte: ocuiaba.com.br
“A prática de exercícios é essencial para a saúde, mas não é um ‘passe livre’ para ficar parado o resto do dia. O treinamento é indispensável, mas o comportamento durante as 24 horas fora da academia determina nossa saúde metabólica e postural”, enfatiza Santiago.
Impactos do Sedentarismo na Saúde
O tempo excessivo em inatividade, especialmente em posturas como ficar sentado por longos períodos, pode trazer diversas consequências prejudiciais ao corpo, indo além de um desconforto temporário. Esse estilo de vida está associado a problemas metabólicos e cardiovasculares, como aumento da resistência à insulina, alterações nos níveis de colesterol, acúmulo de gordura visceral e risco elevado de doenças cardíacas. Também pode afetar a circulação, causando inchaço, alterações de humor e disposição. Além disso, a postura sentada contínua pode resultar em encurtamentos musculares e dores, prejudicando a mobilidade e a força a longo prazo, de modo semelhante ao envelhecimento precoce”, alerta o especialista.
Como Combater o Sedentarismo
Pesquisas científicas sugerem que é importante interromper longos períodos de inatividade para mitigar os efeitos nocivos do sedentarismo. Santiago recomenda que pequenas pausas sejam feitas, a cada 30 a 60 minutos, para levantar, caminhar ou realizar alongamentos. “É semelhante a fazer paradas em viagens longas para manter a circulação adequada. A ideia é se movimentar ao longo do dia, evitando longos períodos de inatividade, como ocorre na rotina típica”, afirma.
Para ajudar a reduzir o tempo parado, pequenas mudanças no ambiente e hábitos diários são fundamentais. “A adoção de estratégias simples, como variar entre ficar sentado e em pé, usar mesas ajustáveis ou criar situações que incentivem movimentação, como levantar para beber água ou fazer reuniões caminhando, pode fazer a diferença. Essas pequenas alterações na rotina contribuem para evitar que fiquemos parados o tempo todo”, conclui Santiago. Essas práticas promovem um estilo de vida mais ativo e saudável.


