Wilson Júnior e a difusão do Boi-bumbá na capital paulista
Desde 2025, o coreógrafo, bailarino e produtor cultural amazonense Wilson Júnior tem se dedicado a ampliar o alcance da cultura do boi-bumbá em São Paulo. Atuando na São Paulo Escola de Dança, uma das instituições mais tradicionais do país, ele compartilha com alunos e profissionais os saberes, movimentos e símbolos que representam a festa de Parintins.
Wilson transmite não só os passos das danças, mas também a história por trás do festival, os personagens centrais, as toadas e o significado cultural dessa manifestação. O interesse crescente dos estudantes mostra como o boi-bumbá ganha espaço fora do Amazonas, conquistando novos olhares e ampliando sua presença em outros estados brasileiros.
Metodologia viva para fortalecer a cultura do Boi-bumbá
Com oito anos de experiência na montagem dos corpos de dança do Festival Folclórico de Parintins, Wilson destaca que seu trabalho vai além da técnica. “Minha metodologia busca aproximar as pessoas dessa cultura de forma viva, acessível e envolvente”, explica. A receptividade dos alunos contribuiu para sua renovação no processo seletivo da São Paulo Escola de Dança, o que representa um reconhecimento importante para o artista.
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Além de disseminar esse conhecimento, ele planeja criar um grupo artístico dedicado ao boi-bumbá na capital paulista. A proposta é abrir espaços para que mais pessoas possam vivenciar essa tradição amazonense, fortalecendo também grupos já existentes, como a Troup Caprichoso São Paulo.
Expandindo a tradição para o interior paulista
O projeto de Wilson não se limita à capital. Ele pretende levar oficinas, vivências e apresentações para o interior de São Paulo, promovendo encontros culturais que aproximem o público da riqueza artística do Festival Folclórico de Parintins. “O boi-bumbá é muito mais que um espetáculo: é identidade, ancestralidade, memória e pertencimento”, reforça o coreógrafo.
Trajetória de um artista conectado às raízes amazônicas
Natural do Amazonas, Wilson Jr. construiu sua carreira a partir da relação profunda com as manifestações culturais da região. Seu currículo reúne atuações como coreógrafo, pesquisador e gestor cultural, especialmente no universo do boi-bumbá.
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Foi coreógrafo do Boi-Bumbá Garantido em 2022 e 2023 e integra o Boi-Bumbá Caprichoso desde 2018. Um dos seus projetos mais destacados é o “Boi de Quilombo: Territórios da Resistência”, que conecta o boi-bumbá às danças afro-brasileiras e às ancestralidades afro-indígenas, utilizando a pesquisa de movimento como ferramenta de diálogo cultural. Essa iniciativa já ultrapassou as fronteiras brasileiras, alcançando países como Argentina, Venezuela, Paraguai e Panamá.
Formado em Dança pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mestre pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e doutorando em Estética e História da Arte pela Universidade de São Paulo (USP), Wilson também dirige a Instituição Cultural e Educacional Arte Sem Fronteiras no Amazonas. Lá, oferece aulas e atividades culturais para pessoas em situação de vulnerabilidade e projetos voltados à terceira idade.
Com esse trabalho, ele reafirma a importância de conectar tradições regionais ao cenário cultural nacional, criando pontes que valorizam a diversidade e o patrimônio imaterial brasileiro.


