Inovação Acadêmica da Unesp
Em uma reunião notável realizada no auditório da Coordenadoria de Desenvolvimento Profissional e Práticas Pedagógicas (CDeP3), na capital paulista, o Conselho Universitário da Unesp aprovou, na terça-feira (10), um curso de graduação em língua e cultura chinesas, sendo este inédito em todo o Brasil. Com início previsto para agosto de 2026, o curso contará com 40 vagas disponíveis no Vestibular Unesp Meio de Ano do mesmo ano, destacando-se como uma novidade nas graduações oferecidas pela universidade.
A nova formação será um bacharelado oferecido pela Faculdade de Ciências e Letras (FCL) do câmpus de Assis, com aulas no período noturno e uma duração mínima de quatro anos. Um dos grandes atrativos desse curso é a possibilidade de os estudantes cursarem os dois últimos anos na Universidade de Hubei, na China, por meio de um acordo de cooperação com a instituição chinesa, com a aprovação do Ministério da Educação do país asiático. Essa parceria permitirá que os alunos adquiram um duplo diploma, com foco em relações comerciais internacionais.
Segundo a professora Renata Giassi Udulutsch, diretora da unidade da Unesp em Assis e uma das idealizadoras da proposta, os primeiros dois anos do curso serão focados no ensino do idioma chinês. Ao final desse período, entre 15 e 20 estudantes poderão prosseguir os estudos na China, mediante uma seleção que avaliará o nível de proficiência e o desempenho acadêmico, entre outros critérios definidos no projeto pedagógico.
Durante sua apresentação ao Conselho Universitário, a diretora destacou o processo de elaboração da proposta, que ocorreu entre dezembro de 2023 e dezembro de 2025. Esse trâmite contou com a ampla participação da comunidade universitária, garantindo que as sugestões da comunidade moldassem a aprovação do novo curso. Os alunos terão a opção de se formarem inteiramente no Brasil, com ênfase em tradução, ou estudarem metade do tempo na China, focando em relações comerciais internacionais. Vale lembrar que a China é o principal parceiro comercial do Brasil, e essa relação movimentou cerca de US$ 171 bilhões em 2025.
“Este é o primeiro curso no formato de graduação compartilhada na América Latina”, ressaltou a diretora da FCL do câmpus de Assis.
Motivações para a Criação do Curso
Entre as justificativas para a criação do curso estão a necessidade de atender a demandas do mercado e o alinhamento com os objetivos estratégicos de internacionalização da Unesp. A universidade foi pioneira ao instalar uma unidade do Instituto Confúcio no Brasil, em outubro de 2008, estabelecendo uma sólida relação social e cultural com a China.
“As universidades da China se destacam em rankings internacionais, e a Unesp já possui uma relação consolidada com o país. A nova graduação representa um passo inovador na formação de profissionais capazes de atuar em diferentes áreas, validando e ampliando essa parceria”, afirmou a reitora Maysa Furlan, ressaltando a importância do projeto no contexto internacional.
Maysa Furlan também destacou que este será o primeiro curso em que os alunos terão uma graduação compartilhada: dois anos no Brasil e dois anos na China, proporcionando uma experiência sociocultural ímpar.
O curso deverá preparar profissionais com domínio da língua e cultura chinesas, capacitando-os para atuar nas relações comerciais internacionais e na tradução de textos. Com essa formação, os graduados estarão aptos a se inserir em nichos profissionais relacionados ao intercâmbio entre os dois países. Vale mencionar que as 40 vagas do novo curso não são novas, mas remanejadas do curso de letras oferecido no câmpus de Assis, que havia reduzido sua oferta para se adaptar à demanda.
Apoio e Investimentos
A parceria com a Universidade de Hubei inclui um investimento de US$ 300 mil por ano para a implementação do curso, especialmente em melhorias na infraestrutura da unidade universitária. A Unesp planeja contratar cinco novos docentes e dois servidores técnico-administrativos nos próximos anos, refletindo o crescimento e a importância dessa nova graduação.
“Este curso é um marco significativo”, afirmou o vice-reitor Cesar Martins. “É a primeira graduação em língua e cultura chinesas na América Latina, refletindo nossos 50 anos de história, inovação pedagógica e a criação de uma nova carreira que tem um mercado promissor”, concluiu.
A Pró-reitora de graduação da Unesp, Celia Maria Giacheti, também destacou a importância da inovação nos cursos oferecidos pela universidade, exemplificando com a abertura do curso de língua e cultura chinesas. “O sucesso na aprovação deste curso é um reflexo da necessidade de reestruturação e inovação nos cursos, visando atrair mais alunos e oferecer uma educação de qualidade”, enfatizou.
O professor Luis Antonio Paulino, diretor do Instituto Confúcio na Unesp, acompanhou de perto as discussões sobre a nova graduação e ressaltou que, ao criar este curso, a Unesp consolida sua trajetória de relacionamento com a China. “É fundamental que o Brasil diversifique suas parcerias internacionais, especialmente em um momento em que enfrentamos novos desafios geopolíticos”, ponderou.
O curso de língua e cultura chinesas teve o apoio dos 34 diretores das unidades universitárias da Unesp e recebeu ampla aprovação no Conselho Universitário, com apenas cinco votos contrários. A seguir, um vídeo detalhando a reunião que aprovou essa inovadora graduação na Unesp.


