Um Século de História e Memórias
O Cine Odeon, localizado no coração do Rio de Janeiro, celebra um século de atividades e conquistas. Inaugurado em abril de 1926, o cinema é descrito por muitos como um ‘templo sagrado’ do audiovisual carioca. Desde sua abertura, o Odeon tem se destacado por seu imponente estilo neoclássico e pela capacidade de abrigar 951 espectadores, tornando-se um marco cultural em uma área que já foi o epicentro do cinema na cidade, conhecido como Cinelândia.
Rodrigo Teixeira, um renomado produtor brasileiro indicado ao Oscar, reflete sobre o cinema, ressaltando a importância do Odeon, enquanto menciona a expectativa em retornar às premiações. O cinema, que é o último remanescente de um circuito de salas que anteriormente incluía o Cineac Trianon e o Parisiense, ainda guarda em sua memória os grandes lançamentos que marcaram a história do cinema mundial.
Clássicos como “Cleópatra” e “Aconteceu naquela noite” tiveram suas estreias nas telas do Odeon, que por anos tem sido o palco de grandes momentos da sétima arte. O cinema também se destacou por receber produções como “O exorcista” e “E.T. O Extraterrestre”, atraindo filas enormes para suas exibições. Celebridades internacionais, como Tom Cruise e Catherine Deneuve, já passaram pelo seu tapete vermelho, solidificando ainda mais sua relevância cultural.
Memórias Compartilhadas
Para comemorar esse centenário, diversas personalidades do cinema nacional foram convidadas a relembrar suas experiências no Odeon. O ator Ary Fontoura expressa seu carinho pelo local, destacando que muitos de seus filmes favoritos, especialmente dos anos 1960, foram vistos ali. Ele elogia o esforço que o cinema continua a fazer para se reinventar e manter seu público engajado com festivais e lançamentos.
A atriz Helena Ignez também compartilha suas lembranças, enfatizando a conexão emocional que sente com o Odeon, especialmente ao lembrar de homenagens a cineastas como Rogério Sganzerla. Rita Cadillac, por sua vez, rememora sua infância próxima ao cinema, citando o impacto emocional que teve ao ver seu documentário exibido na mesma sala onde passou muitos momentos de sua juventude.
Diretores como Karim Aïnouz e Walter Carvalho refletem sobre a atmosfera única do Odeon, que transcende o simples ato de assistir a um filme. Aïnouz recorda uma sessão memorável durante a Copa do Mundo de 2002, onde a euforia do público se tornou uma extensão da experiência cinematográfica. Carvalho, por sua vez, fala sobre a energia do público durante a estreia de “Madame Satã”, um filme que marcou sua trajetória profissional.
Um Patrimônio Cultural Carioca
O Cine Odeon é mais do que um simples cinema; é um símbolo cultural que representa a resiliência das salas de exibição brasileiras. Em tempos de mudanças no setor, o Odeon se estabeleceu como um marco, preservando a história e promovendo novas produções. Susana Schild, crítica de cinema, destaca que cada lembrança ligada ao Odeon é uma parte fundamental da identidade carioca.
O ambiente do Odeon exala a essência do que significa ir ao cinema: as luzes se apagando, a expectativa antes de um filme começar, e o badalar do sino que marca o início das sessões. O gerente da Cinemateca do MAM, Hernani Heffner, ressalta que, apesar de não ser um espaço tecnicamente distinto, o Odeon sobrevivência e continua a cativar o público, apresentando uma programação diversificada que vai desde clássicos restaurados até estreias aguardadas.
À medida que o Cine Odeon se aproxima de seu centenário, seu legado permanece forte. As histórias contadas por cineastas, críticos e frequentadores reafirmam o papel central que este cinema exerce na cultura carioca. Comemorar seus 100 anos é celebrar não apenas a arquitetura e a história do espaço, mas também as memórias coletivas que moldaram e continuarão a moldar o cinema no Brasil.


