Proibição de estruturas precárias nas escolas brasileiras
A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados votou favoravelmente a um projeto de lei que proíbe o uso de contêineres, lonas, latas e outros materiais inadequados em ambientes escolares, como salas de aula e bibliotecas. A iniciativa visa assegurar que as escolas ofereçam condições dignas de ensino, eliminando o emprego de estruturas improvisadas e precárias.
Ampliação do alcance do projeto original
O texto aprovado é um substitutivo apresentado pelo deputado relator Duda Ramos (Pode-RR), que expandiu o escopo da proposta original, de autoria do deputado Geraldo Mendes (União-PR). Enquanto a proposta inicial restringia a proibição ao uso de contêineres como espaços escolares, a nova versão inclui uma variedade maior de materiais e estabelece que as instituições devem atender a padrões nacionais mínimos de qualidade, funcionamento e salubridade.
Além disso, o projeto proíbe que o calendário escolar seja adiado por falta de infraestrutura adequada, reforçando o compromisso com a manutenção do ritmo das atividades educacionais mesmo diante de desafios estruturais.
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Infraestrutura e o Plano Nacional de Educação
O relator destacou que a medida tem como objetivo combater a precariedade que afeta alunos em várias regiões do país, citando casos extremos como o uso de salas feitas de lona no Norte e até de espaços abertos, como currais, para ministrar aulas. “Essa é uma questão séria que evidencia a falta de oferta de educação em condições dignas para os estudantes”, afirmou Duda Ramos.
Ele também mencionou o Plano Nacional de Educação (PNE – Lei 15.388/26), que considera a infraestrutura como um dos principais critérios para a qualidade da educação. O PNE instituiu o Programa Nacional de infraestrutura escolar, coordenado pelo Ministério da Educação, para apoiar a expansão, adequação e modernização das instalações físicas e tecnológicas das escolas públicas.
Monitoramento e responsabilização dos entes federativos
Segundo o deputado, é fundamental avançar na criação de um sistema imparcial de monitoramento e fiscalização das condições escolares, além de estabelecer mecanismos claros de responsabilização para estados e municípios. Essas medidas estruturais são essenciais para garantir que os recursos destinados à infraestrutura sejam utilizados corretamente e que as escolas cumpram os padrões exigidos.
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Aplicação, exceções e abrangência do projeto
As regras previstas no projeto abrangem tanto instituições de educação básica quanto superior, incluindo escolas públicas, privadas e entidades conveniadas com o poder público. O texto autoriza exceções para o uso de materiais locais que respeitem a identidade cultural, especialmente em comunidades indígenas, e permite estruturas provisórias em situações emergenciais, desde que garantam a segurança dos estudantes.
Essas exceções deverão estar amparadas por normas específicas dos órgãos gestores de ensino, garantindo que não comprometam a qualidade e a segurança do ambiente escolar.
Próximas etapas para aprovação do projeto
A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Caso seja aprovada, poderá seguir diretamente para o Senado Federal. Para que se torne lei, o projeto precisa passar pela aprovação dos deputados e senadores e, posteriormente, ser sancionado pela presidência da República.


