O Trânsito como Questão de saúde pública
Os acidentes de trânsito, embora não sejam considerados uma doença, configuram-se como um sério desafio à saúde pública. Essa realidade se reflete em mortes, traumas físicos, sequelas neurológicas, amputações e dor crônica, além de sofrimento emocional para as vítimas e famílias afetadas. Portanto, discutir as vítimas do trânsito é, na verdade, abordar a prevenção, o cuidado e a responsabilidade na proteção da vida.
As consequências para os sobreviventes desses acidentes podem ser tanto imediatas quanto prolongadas. Entre os principais resultados estão fraturas, traumatismo craniano, lesões na medula espinhal, limitações motoras, hospitalizações prolongadas, necessidade de intervenções cirúrgicas e reabilitação. Para além das sequelas físicas, muitos enfrentam desafios emocionais, como medo de dirigir, ansiedade, sintomas depressivos, luto traumático e dificuldade em retomar a vida após o incidente.
Fatores Evitáveis e Medidas de Prevenção
Uma parcela significativa desses acidentes está ligada a fatores que poderiam ser evitados. Excesso de velocidade, consumo de álcool, uso de celulares ao volante, descumprimento das sinalizações, fadiga e a não utilização de equipamentos de proteção, como capacetes e cintos de segurança, elevam consideravelmente o risco de mortes e lesões severas. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) destacam que ações simples, como o uso correto de capacetes e sistemas de retenção de crianças, conseguem reduzir drasticamente as chances de fatalidades e lesões sérias no trânsito.
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A prevenção é uma responsabilidade que deve ser compartilhada entre indivíduos e coletividades. Respeitar limites de velocidade, evitar dirigir sob a influência de álcool, minimizar distrações, utilizar equipamentos de proteção e manter o veículo em boas condições são práticas que protegem motoristas, passageiros, motociclistas, ciclistas e pedestres. A segurança nas vias começa antes mesmo do deslocamento e envolve escolhas conscientes de todos os envolvidos.
A Memória das Vítimas e a Criação de uma Data Nacional
A recente criação de uma data nacional em memória das vítimas de acidentes de trânsito carrega um peso simbólico e educativo. Essa data, comemorada em 7 de maio, visa perpetuar a lembrança das vítimas e intensificar a conscientização sobre a segurança no trânsito. A legislação, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada no Diário Oficial da União (DOU), é resultado do Projeto de Lei 5.189/2019, elaborado pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES), e foi aprovada pelo Senado em 2022, com o apoio do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA).
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O autor do projeto enfatizou que sua iniciativa surgiu da gravidade dos acidentes no Brasil. O dia 7 de maio foi escolhido em memória de um trágico acidente ocorrido em Curitiba, que envolveu o então deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho, que dirigia embriagado e em alta velocidade, colidindo com o carro onde estavam Gilmar Rafael Souza Yared e Carlos Murilo de Almeida.
“Fui delegado de trânsito por 14 anos e testemunhei a dor das famílias. Recebia pais e mães para liberar vítimas fatais. Aquela dor me levou a criar o Dia Estadual em Memória das Vítimas de Acidente de Trânsito. A sanção desta lei é um passo fundamental para entendermos que as estatísticas representam rostos, vozes e histórias”, afirmou Contarato durante a sanção da lei, no Plenário do Senado, no dia 15 de abril.


