Início oficial do El Niño e suas perspectivas
O El Niño, fenômeno natural que eleva as temperaturas globais, foi oficialmente confirmado por cientistas americanos na quinta-feira (11/06). A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) declarou que as condições típicas do El Niño já estão ocorrendo no Pacífico tropical, com um aumento significativo da temperatura da superfície do mar nos últimos meses.
Previsões das principais agências climáticas indicam que este pode ser um dos El Niños mais intensos já registrados, chegando a ser classificado como um “super” El Niño. A Organização Meteorológica Mundial, ligada à ONU, já havia emitido alertas sobre a força do fenômeno esperado para 2026, prevendo um aumento dos eventos climáticos extremos em diversas regiões do planeta.
Monitoramento e evidências do fenômeno
Prever com precisão o momento exato e a intensidade do El Niño é um desafio. Por isso, cientistas monitoram uma região específica do oceano Pacífico que revela sinais importantes. A comprovação da chegada do fenômeno ocorreu quando as temperaturas da superfície do mar no Pacífico central e tropical ultrapassaram 0,5°C acima da média histórica.
O fenômeno se desenvolve quando alterações nos padrões de vento permitem que águas mais quentes se espalhem pela região tropical do Pacífico. O professor Adam Scaife, chefe de previsões de médio e longo prazo do Serviço Nacional de Meteorologia do Reino Unido, afirmou antes da confirmação oficial: “Temos bastante certeza de que um grande evento está por vir. Pode até ser um evento recorde.”
Aquecimento abaixo da superfície e seus efeitos
Um dos fatores que sustentam a previsão de um El Niño forte está nas águas profundas do oceano. Dados coletados por satélites, boias e flutuadores indicam uma onda incomum de água quente, com temperaturas até 6 ºC acima da média em algumas áreas, que atravessa o Pacífico em profundidade.
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Michelle L’Heureux, cientista do Centro de Previsões Climáticas da Agência Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), destaca que esse aquecimento em águas profundas costuma antecipar o aumento da temperatura da superfície, que por sua vez aquece o ar acima, alterando padrões climáticos globalmente.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou a gravidade: “As condições causadas pelo El Niño colocarão lenha na fogueira de um mundo em aquecimento. Os impactos serão sentidos com mais força, a distâncias ainda maiores, e cruzarão fronteiras com velocidade devastadora.”
Efeitos climáticos e econômicos esperados
Não existem dois El Niños iguais, e os impactos variam conforme a região e o período do ano. Entretanto, eventos fortes costumam gerar clima quente e seco em partes da América do Sul, sudeste asiático e Austrália, elevando os riscos de secas e incêndios florestais.
Além disso, o fenômeno pode enfraquecer as monções na Índia, causar seca no chifre da África e aumentar as chuvas no sul dos Estados Unidos, elevando o risco de enchentes. No Reino Unido, há possibilidade de invernos moderados que terminem com frio, embora a relação com o clima do noroeste europeu seja menos clara.
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Fonte: bahnoticias.com.br
Historicamente, El Niños intensos estiveram ligados a aumentos significativos nos preços dos alimentos e prejuízos econômicos bilionários, devido à queda na produção agrícola e interrupções nas cadeias de abastecimento globais.
Desafios na previsão e impactos futuros
O pico do El Niño costuma ocorrer próximo ao Natal, o que dificulta previsões precisas com meses de antecedência. Segundo L’Heureux, o comportamento dos ventos é o principal indicador do fenômeno, mas sua previsão antecipada é complexa.
O climatologista Zeke Hausfather, do grupo americano Berkeley Earth, projeta que 2027 será provavelmente o ano mais quente já registrado. Ele lembra que o El Niño de 1998 foi excepcionalmente forte e acompanhado de altas temperaturas globais, e que um evento semelhante hoje seria relativamente mais frio em comparação com as últimas duas décadas.
Esse cenário evidencia o impacto significativo das atividades humanas no clima do planeta e reforça a importância do monitoramento contínuo do El Niño para preparar sociedades e economias para seus efeitos.


