O projeto que quer revitalizar o Centro de Sorocaba
Nos próximos meses, o Centro de Sorocaba pode se transformar em um polo cultural permanente com o lançamento do circuito “O Centro Vive”. A iniciativa será apresentada na Associação Comercial de Sorocaba (Acso) e tem o objetivo de ocupar ruas, praças, espaços independentes e patrimônios históricos da região com uma programação diversificada. O circuito está previsto para acontecer entre novembro deste ano e o período do Carnaval, reunindo artistas, produtores culturais, comerciantes e a iniciativa privada.
Uma articulação que une tradição e inovação
Idealizado pela Associação Sozinho Não Dá, criada em 2023 e em processo de formalização como associação cultural para futuramente se tornar uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), o projeto conta também com o apoio do Instituto Cultural da Acso e da Associação Comercial. Tiago Oliveira, vice-presidente do coletivo Sozinho Não Dá, explica que a ideia nasceu da união entre iniciativas culturais que já atuam no Centro há anos. “Quando esses grupos começaram a dialogar e coexistir, ficou claro o potencial para uma programação integrada capaz de fortalecer a produção cultural e a ocupação da região”, afirma.
O movimento reúne coletivos e espaços variados, como a Feira Beco do Inferno, Feira Oca Cultural, Krucatá, Espaço Cultural Rodo, Girls Rock Camp Brasil, Estação Paula Souza, Casa Lastro, Centro Cultural Beco, Casa da Elza e o Recreativo Central, entre outros.
Programação diversificada e foco na economia criativa
O circuito “O Centro Vive” prevê uma agenda rica, que inclui apresentações de teatro, dança, música, cinema ao ar livre, circo, oficinas artísticas, saraus, slams, exposições, feiras de artesanato e atividades voltadas ao bem-estar, distribuídas por vários pontos do Centro. Para Tiago Oliveira, a proposta vai além dos eventos: busca fortalecer a economia criativa local, incentivar a circulação de pessoas e contribuir para a revitalização urbana.
“A cultura é uma ferramenta para o desenvolvimento da cidade, o fortalecimento da economia local e a construção de vínculos entre as pessoas”, destaca. Outro ponto central do projeto é a valorização dos artistas, com a garantia de remuneração justa. “Cultura é trabalho, e trabalho deve ser pago”, reforça Tiago.
Inclusão e transparência na participação
O circuito também tem como princípio a ocupação diversa do Centro, envolvendo moradores, comerciantes, trabalhadores, visitantes e agentes culturais, sem exclusão ou descaracterização dos espaços. Caso o projeto avance com aprovação e financiamento, será lançada uma chamada pública para que artistas, coletivos, produtores e espaços culturais possam integrar a programação, com processo seletivo transparente. Os parceiros manterão autonomia para realizar suas próprias curadorias, alinhadas à agenda geral do circuito.
A programação está prevista para se estender ao longo de quatro meses, ampliando as oportunidades de participação. Tiago Oliveira lembra que a grande demanda observada nos editais da Política Nacional Aldir Blanc reforça a força da produção cultural local e a necessidade de iniciativas como essa.
Um novo marco cultural para Sorocaba
Os organizadores esperam que “O Centro Vive” se consolide como um evento permanente no calendário cultural da cidade. “Queremos que o circuito faça parte da identidade de Sorocaba, assim como acontece em outras cidades que transformaram seus centros históricos em polos culturais, de convivência e desenvolvimento econômico”, afirma Tiago.
Além da programação artística, o projeto prevê ampliar a integração com gastronomia, comércio e iniciativas que aproveitem imóveis desocupados, fortalecendo o Centro como um espaço vivo, de convivência e crescimento econômico.


