A Bienal de São Paulo chega a Belém com uma proposta inédita
A partir de 25 de setembro, o Museu de Arte de Belém (MABE) abre as portas para a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo. Pela terceira vez, a capital paraense recebe um recorte dessa exposição que, nesta edição, reúne trabalhos de dez artistas no Palácio Antônio Lemos. A mostra aborda temas como deslocamento, memória, trabalho, pertencimento e circulação de pessoas e culturas, permanecendo aberta ao público até 29 de novembro.
O acesso ao MABE é gratuito, com funcionamento de terça a sexta-feira, das 9h às 16h30, e aos fins de semana, das 9h às 13h. Intitulada “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática”, a exposição conta com curadoria de Anna Roberta Goetz e cocuradoria de Leonardo Matsuhei, que selecionaram artistas como Aline Baiana, Hamedine Kane, Ming Smith e Tillmans.
Obras que dialogam com a história e o presente de Belém
Esta é a terceira vez que a Bienal de São Paulo se apresenta em Belém. Em 2022, a 34ª edição ocupou o Solar da Beira e o Mercado Ver-o-Peso. No ano seguinte, a 35ª Bienal foi realizada no Palácio Antônio Lemos, sede do MABE. Agora, a mostra 2026 tem o patrocínio da Vale.
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Destaques da exposição incluem “Ouro negro é a gente” (2025), de Aline Baiana, que utiliza o petróleo para refletir sobre trabalho, pertencimento e memória. Já o artista Hamedine Kane apresenta “Les Ressources – Le Ventre de l’Atlantique” (2025), com instalações que evocam o Atlântico como espaço de circulação de mercadorias e histórias.
A fotografia ganha espaço com Ming Smith, a primeira mulher a ter obras adquiridas pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA). Sua contribuição traz ampliações de fotografias analógicas capturadas entre as décadas de 1970 e 1990, retratando a cena cultural negra nos Estados Unidos.
Conexão profunda entre a exposição e a cidade
A curadora Anna Roberta Goetz destaca a relação entre a mostra e Belém, ressaltando a influência da história sociopolítica local na exposição. Ela aponta a água e o ritmo como elementos centrais na narrativa, já que Belém, como porta de entrada da bacia amazônica, foi historicamente moldada pelo acesso aos seus territórios e culturas através da água. Essa dinâmica envolve histórias de colonialismo, escravidão e extração que ainda reverberam nos dias atuais, além de transmitir ritmo, memória e conhecimento.
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Desde 2011, o programa de itinerâncias da Fundação Bienal de São Paulo leva fragmentos da exposição principal para diferentes cidades, ampliando o acesso à arte contemporânea. Andrea Pinheiro, presidente da fundação, reforça a importância de democratizar o contato do público com o evento em várias regiões do país.
Para Michell Durans, secretário de Cultura de Belém, receber a 36ª Bienal no MABE representa um momento importante para aproximar a arte contemporânea do público local. Ele destaca que a iniciativa reforça o museu como um espaço aberto à cidade, ao diálogo e a novas experiências culturais, especialmente durante sua fase de retomada das atividades.
Informações para visitação
Local: Museu de Arte de Belém (MABE) – Palácio Antônio Lemos
Endereço: Praça D. Pedro II, s/n, Cidade Velha, Belém
Abertura: 25 de setembro de 2026
Visitação: até 29 de novembro de 2026
Horários: terça a sexta, das 9h às 16h30; sábado e domingo, das 9h às 13h
Entrada: gratuita


