Cuidados para Preservar a Voz
Comemorado em 16 de abril, o Dia Nacional da Voz destaca a importância de um dos principais meios de comunicação humana, que também é vital para o trabalho de muitos profissionais. Na Policlínica Metropolitana do Pará, localizada em Belém, o cuidado com a saúde vocal é constantemente abordado, principalmente entre aqueles que dependem da fala para suas atividades diárias.
Além de evitar a rouquidão, manter a voz saudável envolve diversas práticas cotidianas que costumam passar despercebidas. A fonoaudióloga Ana Cristina Lima, coordenadora do setor de Fonoaudiologia da unidade, enfatiza que pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença na prevenção de complicações vocais.
“Hidratar-se adequadamente ao longo do dia é fundamental para manter as cordas vocais lubrificadas. O ideal é não esperar a sede para beber água. Também é importante evitar esforços vocais, como gritar ou falar em voz alta por longos períodos, especialmente em ambientes barulhentos. Até mesmo o sussurro pode ser prejudicial, pois exige esforço das cordas vocais”, explica.
Fatores que Impactam a Saúde Vocal
A especialista chama a atenção para alguns fatores externos que podem afetar diretamente a qualidade da voz. “Mudanças bruscas de temperatura, o consumo excessivo de bebidas muito quentes ou geladas, além do contato com fumaça, poeira, poluição e álcool, podem irritar a garganta e comprometer a saúde vocal. Outro ponto importante é o descanso: quem usa a voz intensamente deve ter momentos de silêncio durante o dia”, orienta.
A alimentação desempenha um papel significativo nos cuidados com a voz. A ingestão excessiva de café, chocolate e alimentos gordurosos pode contribuir para o refluxo, que irrita a laringe. “Uma alimentação equilibrada, junto com cuidados com a postura e a respiração, são medidas que ajudam a falar com menos esforço e mais qualidade”, conclui a fonoaudióloga.
Profissões em Risco
O uso intenso da voz no trabalho coloca certos profissionais em maior risco de desenvolver problemas vocais. Professores, por exemplo, frequentemente precisam falar por longos períodos em ambientes barulhentos. Cantores e músicos também estão entre os que exigem controle e esforço vocal constantes.
Atendentes e operadores de telemarketing, locutores, radialistas e apresentadores utilizam a voz continuamente, muitas vezes sem pausas adequadas. Advogados, palestrantes, instrutores e treinadores enfrentam longos períodos de fala, necessitando projetar a voz em locais ruidosos.
“Vendedores e guias turísticos também estão entre os mais impactados, pois falam continuamente com diferentes públicos, geralmente em ambientes barulhentos. Esse uso constante pode resultar em sobrecarga e desgaste vocal”, alerta Ana Cristina.
Sinais de Alerta para Cuidados Vocais
Identificar precocemente alterações na voz é crucial para evitar complicações. Sinais de alerta incluem rouquidão persistente por mais de duas semanas, que é um dos principais indícios de problemas vocais.
Outros sintomas a serem observados são falhas na voz, dor ou desconforto ao falar, sensação de cansaço vocal após pouco uso, além de alterações na qualidade da voz, que pode se tornar mais grossa, fina ou instável.
A recomendação é clara: não ignore esses sinais. Procurar um profissional é fundamental. “Gripes, resfriados e alergias também podem impactar a voz, mas se a rouquidão persistir, o ideal é buscar um fonoaudiólogo ou um médico otorrinolaringologista”, completa Ana Cristina.
Estratégias para Preservar a Saúde Vocal
Quando se trata de preservar a saúde vocal, é vital evitar hábitos que causem esforço, irritação ou ressecamento das cordas vocais. A fonoaudióloga destaca a importância de não gritar ou falar acima do tom natural, pois essas práticas sobrecarregam a voz. Além disso, o sussurro prolongado, que pode parecer inofensivo, também exige esforço e pode levar à fadiga vocal.
Trocar o hábito de pigarrear por alternativas simples, como beber água ou engolir seco, é recomendado, já que “limpar a garganta” frequentemente irrita a laringe. A fonoaudióloga também ressalta os riscos associados ao cigarro e ambientes poluídos, que elevam o risco de problemas sérios, como laringite, além do consumo excessivo de cafeína e álcool, que causam desidratação e favorecem o refluxo.
Por fim, evitar extremos de temperatura ao ingerir bebidas muito quentes ou geladas é essencial. Não forçar a voz durante gripes ou resfriados e fazer pausas regulares ao longo do dia são práticas que devem ser adotadas. Tensionar o corpo e ter má postura ao falar apenas aumentam o esforço vocal, por isso é fundamental atentar-se a esses aspectos. A automedicação deve ser evitada, uma vez que pastilhas e sprays podem mascarar sintomas sem tratar a causa.
A Policlínica Metropolitana e a Fonoaudiologia
A especialidade de Fonoaudiologia da Policlínica possui uma demanda mensal de 2.324 vagas para consultas e exames, entre pacientes da rede e atendimentos internos. Desse total, são disponibilizadas 800 consultas e 1.524 vagas para diferentes exames e procedimentos, como logoaudiometria e audiometria.
Em 2025, o serviço registrou 12.473 atendimentos, com um perfil de pacientes predominantemente pediátrico, concentrando cerca de 77% da demanda em crianças e adolescentes.
Acesso aos Serviços
O acesso à Policlínica Metropolitana de Belém é regulado pelo Sistema Estadual de Regulação (SER). O encaminhamento deve ser feito por uma unidade de saúde do município, conforme solicitação médica ou de um fonoaudiólogo, garantindo assim organização e direcionamento adequado para consultas e exames especializados.


