São Paulo: o gigante econômico com desafios à frente
São Paulo responde por quase um terço da riqueza produzida no Brasil, mantendo-se como a maior economia estadual do país. Em 2023, os dados do IBGE apontam que o estado contribuiu com 31,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. No entanto, esse destaque não elimina os desafios estruturais que a próxima gestão estadual enfrentará a partir de 2027.
Economistas ouvidos pela Forbes destacam que o espaço fiscal restrito, a desigualdade de renda, a produtividade e a capacidade de atrair investimentos diante de um cenário tributário em transformação são questões centrais para o futuro econômico paulista.
Indicadores que revelam contrastes no estado
O Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) lançou a plataforma IMDS Eleições 2026: Indicadores Estaduais, que reúne 228 indicadores em 12 áreas, como situação fiscal, mercado de trabalho, educação, pobreza, ambiente de negócios e segurança. São Paulo apresenta um quadro heterogêneo nesse panorama.
Enquanto o estado exibe bons resultados em educação, segurança e parte dos indicadores do mercado de trabalho, o cenário fiscal é preocupante. Dos sete indicadores fiscais analisados, seis colocam São Paulo entre os estados com os piores resultados. Ainda assim, o estado consegue manter serviços públicos de qualidade, um diferencial em relação a outras unidades da federação, segundo Fernando Veloso, diretor de Pesquisa do IMDS.
A dívida pública e seus impactos no orçamento
Ao final de 2025, a dívida consolidada líquida de São Paulo alcançava R$ 328,7 bilhões, o que representa 123,55% da receita corrente líquida ajustada. Isso indica que para cada R$ 1 de receita, o estado tinha R$ 1,24 em dívida líquida. Apesar do volume elevado, especialistas afirmam que a dívida é administrável devido à força econômica paulista.
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O economista Cláudio Gonçalves dos Santos destaca que o desafio principal é ampliar o espaço para investimentos, diminuindo o custo da dívida e alongando seu perfil para liberar recursos para a melhoria da produtividade e infraestrutura.
Despesas obrigatórias, como gastos com pessoal e previdência, comprometem grande parte do orçamento estadual. Em 2024, as despesas com pessoal representavam 62,21% das despesas primárias, enquanto a previdência correspondia a quase 30% da receita corrente líquida.
Desigualdade de renda persiste apesar do crescimento econômico
O tamanho da economia paulista não se traduz em igualdade. O IMDS destaca que a desigualdade ainda é uma barreira significativa. O índice de Gini, que mede a concentração de renda, diminuiu de cerca de 0,54 em 2018 para 0,49 em 2024, o menor nível em mais de uma década, mas a desigualdade permanece como um desafio.
Essa disparidade impacta diretamente o mercado de trabalho. São Paulo apresenta indicadores positivos em formalização e dinamismo econômico, sobretudo no interior, onde a atividade é mais intensa. A redução da informalidade depende de crescimento econômico consistente para gerar empregos formais.
Reforma tributária e o novo cenário para atração de investimentos
Com a reforma tributária do consumo, que começará a ser implementada em 2027, São Paulo enfrentará um ambiente diferente para atrair investimentos. A guerra fiscal baseada em benefícios do ICMS perderá espaço, dando lugar a fatores como infraestrutura, mão de obra qualificada, segurança e conectividade como elementos decisivos.
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O estado conta com universidades, centros de pesquisa e uma ampla rede logística, o que lhe confere vantagem competitiva. No entanto, o desafio reside em transformar esses ativos em ganhos reais de produtividade e eficiência econômica, um ponto crucial para o crescimento sustentável.
Planejamento de longo prazo: o desafio para a próxima gestão
Questões como infraestrutura, qualificação profissional e redução da desigualdade exigem políticas que ultrapassam o ciclo de quatro anos de governo. A continuidade dos projetos estruturantes é fundamental para garantir avanços consistentes.
Segundo Cláudio Santos, é essencial estabelecer uma agenda de planejamento para obras e investimentos de longo prazo, que mantenha sua execução independentemente das mudanças políticas. Essa visão prolongada é fundamental para a saúde econômica e social do estado.
Conclusão: equilibrar ativos e desafios para manter a liderança econômica
São Paulo chega ao próximo ciclo com importantes ativos em infraestrutura, capital humano e segurança, mas também enfrenta desafios como dívida elevada, desigualdades e a necessidade de aumentar a produtividade. Equilibrar essas duas faces será essencial para que o estado mantenha seu protagonismo econômico e ofereça qualidade de vida para sua população.
O futuro econômico paulista dependerá da capacidade da nova gestão em administrar esses fatores simultaneamente, buscando crescimento inclusivo e sustentável para todos os paulistas.


