O Sucesso de Vinagres Artesanais no Interior de São Paulo
A engenheira química Wilma Aparecida Spinosa está transformando o cenário de condimentos no Brasil com sua linha de vinagres orgânicos. Com sabores que variam entre kiwi, maracujá e milho, sua proposta surpreende, indo muito além do uso tradicional em saladas. O empreendimento, situado em Assis, na região de Marília, recebeu um impulso importante através do microcrédito do Banco do Povo Paulista (BPP), uma iniciativa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo (SDE).
Os recursos obtidos permitiram a compra de matérias-primas, embalagens e equipamentos essenciais. Wilma já realizou três empréstimos pelo BPP, sendo o mais recente pela linha Empreenda Mulher. Entre os novos itens adquiridos, estão garrafas de vidro e PET, rótulos personalizados, insumos como caju e uma recravadeira, máquina fundamental para o fechamento das garrafas.
“O Banco do Povo é um superparceiro. Me beneficiou muito, porque ele me apoia quando preciso de um valor mais alto para adquirir o que é necessário. Isso possibilita estruturar melhor a empresa e comprar matéria-prima em maior quantidade, o que melhora o preço final para o consumidor”, ressalta Wilma.
Uma Trajetória de Inovação e Tradição
Wilma fundou sua empresa em 2004, unindo uma receita familiar, herdada de imigrantes espanhóis, com anos de dedicação ao estudo da fermentação acética. Essa temática foi abordada em sua dissertação de mestrado e na tese de doutorado da empreendedora, que hoje tem 64 anos. Ela representa um dos 2,7 milhões de mulheres brasileiras acima dos 55 anos que estão à frente de negócios, conforme dados do Sebrae.
Com o respaldo do financiamento, a empresa de Wilma não só se sustentou, mas também ampliou seu portfólio, que agora conta com mais de 15 tipos de vinagres. Entre os sabores, destacam-se jabuticaba, manga e maçã, além de versões elaboradas a partir de arroz, milho, mel, cacau e cana-de-açúcar.
Processo de Produção Artesanal e Sustentável
A produção dos vinagres é semiartesanal, sendo influenciada pela disponibilidade e qualidade das matérias-primas. O processo de fabricação ocorre em duas etapas: a primeira é a fermentação alcoólica, que converte os açúcares naturais da fruta em álcool; a segunda, a fermentação acética, transforma esse álcool em vinagre. Os produtos são isentos de conservantes e são elaborados por meio de fermentação natural, sem a adição de aceleradores químicos.
“Os vinagres convencionais costumam ser pungentes e intensos. Nós buscamos fazer vinagres mais sofisticados, utilizando um processo artesanal e envelhecimento em tonéis de carvalho, o que enriquece o perfil sensorial dos nossos produtos. Eles são tão versáteis que podem ser utilizados em drinks, geleias e até para temperar pipoca”, enfatiza Wilma, destacando a singularidade de seu trabalho.


