Desafios e Expectativas no Setor Imobiliário
Os investidores de negócios imobiliários ligados ao ex-goleiro Doni estão enfrentando um momento desafiador. Na visão da advogada Juliana Leite, que atua em processos contra a D32, a relação de confiança estabelecida com os diretores da empresa foi um fator crucial que atraiu muitos investidores. Segundo ela, os projetos oferecidos eram promissores e, se cumpridos, poderiam proporcionar retornos financeiros significativos. “O mercado imobiliário na Flórida tem se mostrado bastante vigoroso, especialmente após a pandemia, onde os terrenos passaram a valorizar consideravelmente. Acreditávamos que as intenções iniciais eram de entrega dos projetos, todos bem localizados, mas, de alguma forma, as entregas não ocorreram”, afirmou em entrevista ao G1.
Juliana, que ganhou notoriedade ao participar da 4ª edição do Big Brother Brasil e se especializou em causas cíveis nos Estados Unidos, está à frente de quatro processos contra a D32. A empresa, que conta com Doni entre seus sócios, vem enfrentando críticas em virtude da falta de devolução de recursos e da entrega de empreendimentos prometidos.
Processos e Vantagens Judiciais
De acordo com Juliana, todos os processos em questão foram julgados favoravelmente na justiça americana, garantindo a devolução de cerca de US$ 1,5 milhão. Dentre os investidores lesados, estão empresas ligadas ao cantor Michel Teló e à atriz Thaís Fersoza. “Apesar de tentativas de acordos extrajudiciais por parte da D32, a proposta não foi aceita, uma vez que não apresentava compensações satisfatórias. Eles sugeriram uma novação da dívida, onde a antiga seria extinta em troca de uma nova estrutura. Eu orientei meus clientes a não aceitarem essa proposta, já que tínhamos um julgamento que garantiu prioridade na recuperação dos valores”, destacou.
Em outro caso, Juliana mencionou que um cliente optou por participar de um acordo extrajudicial, mas não obteve retorno financeiro da D32. O montante do débito nesse caso ultrapassa a marca de US$ 1 milhão.
A Perspectiva de Doni Sobre a Situação
Em manifestação oficial, Doni esclareceu que há mais de oito anos é sócio da incorporadora, que atualmente passa por um processo de reestruturação societária e renegociação de contratos, o que gerou algumas divergências com clientes. Ele afirmou que a maioria dos acordos com investidores foi solidificada e que os problemas enfrentados nos empreendimentos estão relacionados a fatores econômicos, como o aumento das taxas de juros nos Estados Unidos.
O ex-goleiro Doni, natural de Ribeirão Preto (SP), tem uma carreira renomada no futebol, com passagens por grandes clubes como Corinthians, Santos, Roma e Liverpool, além de ter sido convocado para a Seleção Brasileira. Após sua aposentadoria em 2013, ele se tornou empresário e passou a atuar na D32, que buscou recursos para a construção de residências em condomínios na Flórida.
Quebras de Contrato e Reivindicações no Judiciário
A D32 tornou-se alvo de requisições judiciais devido à falta de entrega de projetos e à ausência de retorno financeiro nos investimentos dos clientes. O clima se agravou com a possibilidade de prisão cível dos sócios da empresa, que enfrentam a ausência em atos processuais. Um levantamento revelou que já existem pelo menos 29 processos registrados contra a D32, principalmente relacionados a quebras contratuais, nos condados de Miami-Dade e de Orange, na Flórida.
Em Orange, foram identificadas 22 ações, incluindo uma movida pelo jogador Willian Souza Arão da Silva, do Santos, que investiu US$ 200 mil em um projeto imobiliário. Em Miami-Dade, outras sete ações, entre elas, reclamações de empresas vinculadas a Michel Teló e Thaís Fersoza, foram registradas.
Decisões Judiciais e o Futuro da D32
Nos processos, foi estabelecido que tanto o cantor quanto a atriz assinaram contratos de empréstimos de US$ 450 mil, com a promessa de devolução fixada em 15% ao ano, o que não foi cumprido. “Estamos lidando com uma dívida que não possui garantias reais, já que não existe hipoteca ou menção a quaisquer imóveis. Nossa atuação se baseia em executar a dívida que não foi paga”, explicou Juliana. Recentemente, a justiça americana determinou que a D32 pagasse US$ 812 mil (aproximadamente R$ 4,2 milhões) às empresas de Teló e Fersoza. Este valor, sujeito a correções, já leva em conta taxas de juros e honorários advocatícios.
Juliana destacou que não há mais recursos possíveis para essas ações, já que os prazos legais se esgotaram. Portanto, os processos estão avançando para a fase de execução, onde se busca identificar bens da companhia. “Estamos em negociações, pois na execução, é obrigatório nomear os bens. Até agora, recebemos várias informações e estamos progredindo nesta etapa”, concluiu.
O caso de Doni e a D32 acende um alerta sobre a importância da transparência e da confiança no mercado imobiliário, especialmente em tempos de incertezas econômicas.


