Comércio como Ferramenta de Paz e Prosperidade
No dia 17 de outubro, o Congresso Nacional formalizou, em uma sessão solene, a promulgação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. O momento foi marcado pelo discurso do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que enfatizou a importância do tratado para a defesa da paz e da prosperidade em um cenário mundial repleto de conflitos e tensões comerciais.
Alcolumbre destacou que “o comércio é a chave da paz mundial”. Segundo ele, países que optam por negociar entre si geram laços de amizade e parceria, reduzindo assim os riscos de conflitos armados. O presidente do Senado argumentou que a cooperação econômica cria um ambiente propício para a prosperidade e a paz, afastando ameaças de guerras que podem devastar vidas e riquezas.
Após quase três décadas de negociações, o acordo, que reunirá uma zona de livre comércio para cerca de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) que soma aproximadamente R$ 113 trilhões, foi assinado no final de janeiro em Assunção, no Paraguai, por representantes de ambos os blocos. A ratificação final ocorreu pelo Congresso Nacional em outubro, depois de passar pelas etapas necessárias de aprovação no Brasil.
A aprovação do acordo também foi realizada pelos parlamentos da Argentina, Uruguai e Paraguai, os outros países membros do Mercosul. Porém, a União Europeia ainda aguarda uma análise jurídica do Tribunal de Justiça do bloco, embora a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tenha afirmado que o tratado será aplicado provisoriamente a partir de maio, independentemente das deliberações judiciais.
Impacto Político e Econômico do Acordo
Em sua fala, Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados, ressaltou o valor político e civilizatório do acordo, especialmente em um momento em que o protecionismo e o unilateralismo dominam a cena internacional. Motta enfatizou que o tratado representa uma aproximação entre duas regiões que compartilham valores fundamentais, como a defesa da democracia e do desenvolvimento sustentável.
O acordo prevê que o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos, enquanto a União Europeia cortará tarifas sobre 95% dos produtos do Mercosul em um período de até 12 anos. Essas mudanças visam diversificar os mercados, reduzir vulnerabilidades externas e fortalecer a integração da economia brasileira no cenário global.
O vice-presidente Geraldo Alckmin argumentou que o acordo pode trazer impactos positivos substanciais para a economia brasileira, incluindo expansão do PIB, aumento das exportações, geração de empregos e atração de investimentos. Ele ressaltou que a nova zona de livre comércio abrange aproximadamente um quarto da economia mundial.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também se pronunciou sobre a importância histórica do acordo, destacando seu potencial de estabelecer laços comerciais mais robustos com a União Europeia, que já é a segunda maior parceira comercial do Brasil, com um comércio que superou os US$ 100 bilhões em 2025.
Salvaguardas para Proteger a Indústria Nacional
Para garantir que a nova zona de livre comércio não cause desequilíbrios nas cadeias produtivas, o governo brasileiro implementou um decreto que regula as salvaguardas para proteger os produtores nacionais. Essas medidas poderão ser aplicadas caso as importações de produtos sob condições preferenciais aumentem a ponto de ameaçar a indústria local.
Essas salvaguardas têm como objetivo proteger tanto o setor industrial quanto o agrícola, permitindo uma maior resiliência da economia brasileira em face de possíveis choques no mercado internacional. A expectativa é que o acordo traga benefícios significativos, mas a proteção da indústria nacional permanece uma prioridade para o governo.


