Fortalecimento do Ambiente Empresarial
No dia 6 de abril, às 18h30, Isan Anijar assumirá a presidência da Associação Comercial do Pará (ACP) para o biênio 2026-2028. Em entrevista ao jornal O LIBERAL, o novo presidente, que foi eleito em 23 de março com chapa única, detalhou suas prioridades e desafios. O empresário, que também é diretor comercial da Marmobraz, possui uma trajetória consolidada no setor e foi honrado como “Empresário do Ano” pela ACP em 2025. Sua posse acontece em um marco significativo, pois a ACP celebrará 207 anos de fundação no dia 4 de abril, consolidando-se como uma das mais tradicionais associações comerciais do país.
Anijar ressalta que suas principais metas incluem a modernização da ACP, o fortalecimento de conselhos e a ampliação do diálogo com o governo. O novo presidente também destacou os entraves históricos que enfrenta, como a burocracia excessiva, a instabilidade regulatória e a elevada carga tributária, que, segundo ele, dificultam o crescimento das empresas paraenses.
Desafios e Oportunidades no Ambiente de Negócios
Durante a conversa, Anijar expôs sua visão sobre o ambiente de negócios no Pará, comparando-o à realidade nacional: “É um ambiente hostil. No ano passado, registramos mais de 3 mil mudanças na legislação. Como pode um empresário prosperar diante de tanta instabilidade? Não há advogado ou contador que consiga acompanhar essas constantes alterações”. Para ele, a ACP deve atuar como facilitadora nesse contexto, buscando melhorar o cenário para seus associados e o setor empresarial em geral.
É importante lembrar que a ACP não se restringe ao comércio, mas abrange empresas de diversos setores, como indústria e serviços. Fundada em 1819, a entidade é a segunda associação comercial mais antiga do Brasil e tem um papel histórico significativo na economia do estado, sendo responsável pela criação de importantes instituições, como o Banco da Amazônia, que surgiu a partir das necessidades dos empresários paraenses.
Custos e Oportunidades no Desenvolvimento
Anijar abordou também o impacto do chamado “custo Brasil”, especialmente nas áreas de logística, tributação e burocracia. “A burocracia ainda é um grande obstáculo. Recentemente, discutimos com o presidente da Jucepa a instalação de uma estação de trabalho na ACP, o que pode ajudar na resolução de processos burocráticos que dificultam a participação de empresas em licitações”, afirmou. Ele destacou a necessidade de uma colaboração mais estreita entre a ACP e os governos estadual e municipal para encontrar soluções eficazes.
O novo presidente destacou a importância de unir forças entre diferentes setores, incluindo o Executivo, o Legislativo, a imprensa e os bancos, para enfrentar os desafios que o estado enfrenta. “O Pará possui um enorme potencial, mas os desafios são grandes, especialmente nas áreas mais carentes do interior”, disse Anijar. Ele elogiou a iniciativa do governo estadual em trazer a COP 30 para Belém, o que deverá gerar investimentos significativos.
Obras e Projetos Estratégicos para o Estado
Em relação às obras e projetos logísticos prioritários, Anijar citou três pontos fundamentais: a exploração de petróleo na margem equatorial, a conclusão do Pedral do Lourenço e o projeto da Ferrogrão, que promete trazer uma economia significativa e aumentar a competitividade do Pará nas exportações. “Essas iniciativas podem transformar a economia do estado”, afirmou, apontando que a Ferrogrão sozinha representa um investimento estimado em R$ 28 bilhões.
Impactos da Carga Tributária e da Reforma Tributária
Sobre a carga tributária, Anijar expressou preocupação com as recentes mudanças e alertou que há uma tendência de aumento, o que afetará especialmente os pequenos negócios. “Os empresários já enfrentam grandes desafios, e o aumento da carga tributária pode complicar ainda mais o cenário de negócios”, enfatizou. Ele também comentou sobre a reforma tributária em debate, destacando que a ACP está ao lado dos empresários para orientá-los sobre as mudanças que se aproximam.
Diálogo Institucional e Enfrentamento da Informalidade
Anijar está otimista quanto ao fortalecimento do diálogo institucional com as autoridades, tanto no governo estadual quanto municipal. Ele frisou o papel da ACP na articulação de um diálogo mais amplo, especialmente em relação à revisão do Plano Diretor Urbano de Belém, que impacta diretamente a construção civil. Além disso, o combate à informalidade, que está ligada à falta de informação sobre os benefícios da formalização, é uma das prioridades da ACP. “Estamos comprometidos em conscientizar os trabalhadores sobre a importância da regularização e do acesso a crédito”, concluiu.
Por fim, Anijar comentou sobre projetos em tramitação no Congresso que possam impactar o setor produtivo, como a discussão sobre a mudança da jornada de trabalho. Ele alertou que isso poderia aumentar significativamente os custos de mão de obra, afetando setores intensivos e, consequentemente, a inflação.


