investigação Revela Relações Suspeitas
A Renapsi, que atua no programa Jovem Aprendiz, se encontra no epicentro de uma investigação que envolve seu fundador, Adair de Freitas Meira. O empresário, preso em Goiânia no final de abril, é suspeito de ter lavada aproximadamente R$ 30 milhões para o Primeiro Comando da Capital (PCC), utilizando recursos provenientes da Renapsi e de outras empresas que possuem ligação com ele.
Atualmente, a entidade possui contratos com o governo do Tocantins. Apesar de auditorias e sindicâncias identificarem irregularidades na gestão da Renapsi desde o ano de 2021, o governo formalizou, em julho de 2022, um contrato no valor de R$ 107 milhões com a organização. Essa contratação controversa foi, inclusive, suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e por auditorias do próprio governo, em virtude de suspeitas relacionadas a pagamentos a supostos jovens ‘fantasmas’. No entanto, o vínculo foi mantido com o argumento de preservar os salários de cerca de 1.500 aprendizes.
Posicionamento do Governo e O Programa Jovem Trabalhador
O governo do Tocantins, através da Secretaria Estadual do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas), esclareceu que o programa Jovem Trabalhador, que integra a Renapsi, não é objeto da investigação em curso e que todos os contratos seguem normativas legais, contando com a aprovação do Ministério Público Estadual. Em nota, a secretaria enfatizou que a investigação conduzida em São Paulo não possui relação com os contratos do governo estadual e que a fiscalização de movimentações financeiras de indivíduos ou entidades não é uma atribuição da pasta.
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Conforme as investigações revelam, Adair Meira teria autorizado transferências significativas da Renapsi para a fintech Forte Bank. Segundo as investigações da polícia, essa instituição financeira digital estava sendo usada pelo PCC e é administrada por João Gabriel Iaoamaki, que é considerado o principal operador do esquema de lavagem de dinheiro. O Forte Bank operava a partir de um endereço de fachada localizado em uma sala comercial na Avenida Teotônio Segurado, em Palmas, que, segundo o delegado Fabrício Intelizano, responsável pela investigação em São Paulo, servia como base para movimentações financeiras clandestinas.
Desdobramentos da Operação e Defesas dos Envolvidos
João Gabriel foi preso no Tocantins em março, durante uma operação que resultou na apreensão de meia tonelada de cocaína, sendo transferido para São Paulo em abril. A defesa de Iaoamaki declarou sua inocência e negou qualquer envolvimento com organizações criminosas, ressaltando que a operação não está vinculada ao governo do Tocantins e que as investigações ainda estão em fase inicial, com a defesa se manifestando apenas diante de uma denúncia formal.
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Fonte: cidaderecife.com.br
Por sua vez, a Polícia Civil de São Paulo anunciou que irá notificar estados e prefeituras que mantêm contratos com a Renapsi para evitar novos repasses de recursos públicos enquanto a investigação se desenrola. A defesa de Adair Meira, em nota, desmentiu qualquer associação do empresário a atividades criminosas, alegando que as acusações relacionadas a saques e transferências carecem de evidências concretas. Além disso, afirmaram que Meira não ocupa qualquer cargo na Renapsi, manifestando interesse em prestar esclarecimentos à polícia e confiando na justiça.
Em resposta à situação, a Renapsi emitiu uma nota afirmando que não é alvo da investigação e que Adair Meira não ocupa cargo de liderança na organização. A entidade reiterou seu compromisso com a transparência e informou que já tomou medidas internas para esclarecer os fatos. Além disso, destacou que continua a se dedicar à inclusão de jovens em todo o Brasil, apesar das turbulências enfrentadas.


