Custos e Mobilização de Recursos
O caso do suposto buraco fake criado pelo prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, conforme reportado, teria provocado um impacto significativo nos cofres públicos, com um custo estimado em R$ 19,7 mil. Esse valor foi destacado em um relatório técnico elaborado por servidores do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) e divulgado pelo portal g1 na última segunda-feira (27). Segundo o documento, a intervenção na rua Diadema, localizada no Jardim Leocádia, no dia 9 de abril, envolveu 15 funcionários e a utilização de sete veículos, além da participação de duas empresas terceirizadas.
A situação já levou o vereador Raul Marcelo (PSOL) a apresentar uma denúncia ao Ministério Público de São Paulo, alegando que a operação foi um uso indevido da máquina pública para promover a imagem do prefeito nas redes sociais.
Detalhes da Intervenção Questionada
O relatório aponta que a operação foi substancial, com a mobilização de diversos recursos, incluindo caminhão-pipa, retroescavadeira e caminhões destinados ao aterro. As empresas contratadas foram responsáveis por atividades como drenagem e recomposição do asfalto. O documento sugere que o uso dessa estrutura resultou em um custo mínimo de R$ 19,7 mil. Além disso, menciona irregularidades em registros de atendimento e ordens de serviço, levantando questões sobre desvio de finalidade, improbidade administrativa e possíveis danos ao erário.
O Saae, autarquia com autonomia financeira e administrativa, é responsável por manter e operar os serviços de água, esgoto e drenagem no município, mas as circunstâncias desse caso estão sob investigação.
Denúncia e Suspeitas de Improbidade Administrativa
A representação formal feita por Raul Marcelo ao MP destaca que, no dia 9 de abril, Rodrigo Manga, conhecido como Manga, gravou um vídeo em que aparece na rua Diadema, alegando que a vala foi aberta sem necessidade técnica, apenas para servir como cenário para sua divulgação. O vereador alega que essa ação envolve possíveis crimes contra a administração pública, incluindo improbidade administrativa, falsidade ideológica e uso impróprio de verbas públicas.
Marcelo argumenta que a mobilização de servidores, veículos e máquinas do Saae visou beneficiar a imagem pessoal do prefeito. A representação solicita a abertura de uma investigação detalhada, bem como a coleta de documentos e registros relacionados à intervenção.
Inconsistências nos Registros da Obra
O relatório técnico e a denúncia apontam para diversas inconsistências nos registros da intervenção. Um dos pontos levantados é a utilização de fotos semelhantes como “antes” e “depois” do serviço, além de imagens que, segundo a investigação, teriam sido tiradas em outra parte da rua, a aproximadamente 70 metros do local onde a vala foi supostamente aberta. Documentos adicionais indicariam que um vazamento de água mencionado não seria responsabilidade do Saae, além de uma imagem anterior à intervenção que não mostrava sinais de afundamento ou vazamento na via.
Inicialmente, a denúncia afirmava que pelo menos dez servidores estariam envolvidos na operação, mas o novo relatório ampliou esse número para 15, detalhando ainda mais as participações de veículos e empresas terceirizadas.
Reação da Prefeitura de Sorocaba
A Prefeitura de Sorocaba negou as alegações de que a vala teria sido aberta apenas para uma encenação. Em nota enviada à imprensa, a administração esclareceu que a intervenção foi necessária para a manutenção da rede de esgoto, incluindo a troca de uma abraçadeira danificada. “A vala foi aberta por uma equipe do Saae/Sorocaba, e o trabalho foi concluído no mesmo dia com a recomposição do pavimento, seguindo os protocolos operacionais,” afirma o comunicado.
A administração municipal reiterou que a ação foi solicitada oficialmente e que todas as ordens de serviço seguem um controle interno rigoroso, garantindo a rastreabilidade das intervenções realizadas.
Ministério Público e Verificação de Irregularidades
O Ministério Público de São Paulo foi acionado para investigar se houve uso inadequado da estrutura pública do Saae durante a gravação do vídeo por Rodrigo Manga. Até o presente momento, não houve qualquer decisão pública que reconhecesse irregularidades na abertura da vala. O vídeo, que foi compartilhado nas redes sociais do prefeito em 9 de abril, mostra Manga ao lado da vala e de servidores do Saae, enquanto ele discorre sobre iniciativas de zeladoria urbana e recapeamento na cidade.


