Confirmada negociação entre Boliden e Votorantim pela Nexa
A fabricante europeia de zinco Boliden, sediada na Suécia, anunciou nesta quinta-feira, 2, estar em negociações com o grupo brasileiro Votorantim para adquirir a participação acionária de 64,7% que o conglomerado detém na mineradora Nexa Resources. A companhia sueca divulgou comunicado afirmando que, diante de “especulações” recentes, decidiu esclarecer a existência das tratativas, mas ressaltou que não há garantia de que a transação será concluída ou dos termos envolvidos.
Com mais de um século de atuação, a Boliden surgiu originalmente como mineradora de ouro, prata e cobre na região de Västerbotten, no norte da Suécia. Procurada, a assessoria da Votorantim informou que não comenta o assunto.
Contexto e complementaridade entre as empresas
Fontes próximas às negociações relatam que a Boliden manifesta interesse na Nexa há vários anos, com conversas mais consistentes iniciadas no começo deste ano. As duas empresas são consideradas complementares, tanto operacionalmente quanto em sua presença geográfica. A Boliden opera sete unidades de mineração de zinco na Suécia, Finlândia, Irlanda e Portugal, além de cinco fundições e refinarias, com capacidade anual para produzir 500 mil toneladas de zinco refinado, utilizando material oriundo de suas minas e de unidades de reciclagem.
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Por sua vez, a Nexa concentra suas operações principalmente na América do Sul, com minas no Brasil e no Peru, e está listada na Bolsa de Nova York (Nyse) desde 2017. A Boliden é uma multinacional focada em metais básicos como cobre e zinco, além de metais preciosos como ouro e prata, com presença em países nórdicos e ações negociadas na Bolsa de Estocolmo.
Impactos e mercado
Especialistas ouvidos pelo Estadão avaliam que uma fusão entre as duas empresas, com a Votorantim recebendo ações da nova companhia combinada, ou mesmo a incorporação da Nexa com fechamento de capital na Nyse, fazem sentido estratégico. Com a Nexa, a Boliden se posicionaria como uma das maiores do mundo no setor de zinco, cobre e chumbo, competindo diretamente com grandes players asiáticos, especialmente da China e Coreia do Sul.
Na manhã desta quinta, as ações da Nexa subiram para US$ 13,60 na Nyse, valorizando a mineradora em US$ 1,82 bilhão, das quais a Votorantim detém US$ 1,18 bilhão. Em abril, no auge das negociações, o valor de mercado da Nexa chegou a US$ 2,2 bilhões. As ações da Boliden oscilaram levemente entre 540,40 e 542 coroas suecas (SEK) na Bolsa de Estocolmo, conferindo à empresa capitalização próxima a 155 bilhões de SEK, equivalente a US$ 15,7 bilhões.
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Relevância do negócio para o setor de mineração
Estimado em até US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10 a 11 bilhões, considerando o câmbio atual), o acordo entre Boliden e Votorantim pela Nexa está entre os maiores da indústria de mineração neste ano. Recentemente, a Alcoa anunciou a compra da South32 por US$ 4,1 bilhões, e em janeiro a Votorantim vendeu o controle da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) para a chinesa Chalco e a anglo-australiana Rio Tinto por aproximadamente US$ 900 milhões.
Segundo a consultoria Wood Mackenzie, a Nexa está entre os seis maiores produtores globais de zinco em 2025, com o metal representando 47% da produção total de metais extraídos pela companhia, que também produz cobre, chumbo, prata e ouro em menor escala. A mineradora relata ainda ter sido o sexto maior produtor mundial de zinco refinado no último ano.
Operações e capacidade produtiva da Nexa
Com sede institucional em Luxemburgo e escritório central em São Paulo, a Nexa opera cinco minas de zinco — três no Peru e duas no Brasil — e três refinarias, sendo duas brasileiras e uma peruana. Dentre suas instalações, destaca-se a fundição Cajamarquilla, em Lima, a maior de zinco nas Américas e a sexta maior globalmente. A capacidade total de produção de metal refinado da Nexa soma 650 mil toneladas anuais.


