Consumo global de vinho em queda, mas enoturismo avança
O consumo mundial de vinho atingiu em 2025 o menor patamar em quase sete décadas, com 208 milhões de hectolitros, uma redução de 2,7% em relação a 2024, conforme dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV). Nove dos dez maiores mercados globais registraram queda. Contudo, o enoturismo, que envolve viagens para conhecer as regiões produtoras, cresce com força e deve alcançar um faturamento de US$ 138,4 bilhões até 2033, com expansão anual estimada em 13%, segundo a Persistent Market Research.
Esse fenômeno indica uma mudança na forma como o valor econômico do vinho é gerado. A bebida na prateleira do supermercado perde espaço para outras bebidas e até para o movimento de abstinência, mas a experiência de consumir o vinho no local de produção cria um novo e lucrativo mercado.
A premiumização e o papel do enoturismo
A OIV sintetiza essa transição: mesmo com a queda no volume consumido, a premiumização — ou seja, o consumo de vinhos de maior valor e qualidade — mantém a receita do setor. O enoturismo representa essa lógica ao transformar a visitação em ponto de venda e a experiência em margem de lucro. Na Europa, que concentra 42% do turismo do vinho, regiões tradicionais como Bordeaux, Toscana e Rioja lideram o mercado, mas o crescimento mais acelerado está na Ásia-Pacífico, que responde por 32% do segmento e cresce anualmente 15,2%.
Segundo a Universidade Hochschule Geisenheim, 88% das vinícolas globalmente já oferecem experiências turísticas, que chegam a representar cerca de 25% das receitas totais, com maior peso nas pequenas vinícolas (28%) em comparação com as grandes (17%). No entanto, essa receita tem o desafio da sazonalidade, concentrada em períodos como a vindima e festivais. Além disso, fatores como regulação de álcool e tensões geopolíticas podem impactar rotas de enoturismo, tornando o crescimento projetado incerto.
Leia também: Rotas do Café, Queijo e Vinho Impulsionam Turismo e Economia em São Paulo
Leia também: Imersão no Paraná: 200 Agentes de Viagens Expandem Conhecimento sobre Destinos
Fonte: omanauense.com.br
Oportunidades para o Brasil na economia do vinho
O Brasil, embora produtor marginal no mercado internacional, apresenta potencial para se destacar na nova economia do vinho. Em 2025, o setor de vinhos e espumantes faturou R$ 21,1 bilhões, com crescimento de 9%. O enoturismo avança ainda mais rápido: no Rio Grande do Sul, as experiências turísticas cresceram 57,8% sobre o ano anterior, e o Vale dos Vinhedos recebe mais de 450 mil visitantes por ano.
Para competir, o país não pode apostar em volume ou preço baixo, mas sim na qualidade da experiência. A Serra Gaúcha oferece uma combinação valiosa de paisagem, hospitalidade e narrativa, ingredientes essenciais para atrair turistas e gerar receita.
Transformação do valor econômico do vinho
O paradoxo é claro: o consumo global diminui, e a OIV não vê um retorno rápido dessa tendência. Entretanto, o setor encontrou uma nova forma de crescer, focando no local onde o vinho é produzido. O valor migra da garrafa para o chão onde é cultivada a uva, abrindo caminho para um modelo de negócio baseado em experiências, turismo e valorização regional.
Leia também: Descubra 6 Destinos Imperdíveis para um Roteiro Gastronômico no Interior de São Paulo
Fonte: ocuiaba.com.br
Esse deslocamento representa um movimento econômico relevante para a década, impactando diretamente na geração de emprego, renda e movimentação do comércio local. Para o Brasil, essa mudança é uma oportunidade concreta de fortalecer sua presença no cenário global do vinho, focando no enoturismo como vetor de crescimento sustentável e de impacto real na economia regional.
Destaques de vinhos para o consumidor
Entre as opções para quem quer apreciar vinhos com boa relação custo-benefício, o Don Simon Selección Tempranillo, da Espanha, se destaca. Produzido em Castilla-La Mancha, é um vinho tinto rubi vivo, com aromas de frutas vermelhas, corpo médio e taninos suaves, ideal para acompanhar pizza. Está disponível por R$ 59,90 na Evino.
Outra sugestão é o Mosen Pierre Rosé, também espanhol, da Manzanos Wines. Com 60% tempranillo e 40% garnacha, apresenta cor rosa clara, aromas de morango e flores, paladar leve e acidez equilibrada, perfeito para aperitivos ou pratos leves. Pode ser encontrado por R$ 29,90 na Wine.


