Repetição de alagamentos preocupa servidores da USP
Quatro meses depois do teto da biblioteca da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) desabar, o prédio voltou a ser afetado por fortes inundações provocadas pelas chuvas intensas que atingem São Paulo. Servidores criticam a demora da instituição em realizar reparos definitivos, o que expõe o acervo e os funcionários a riscos contínuos.
Problemas estruturais e cobertura provisória mantêm vulnerabilidade
Desde o último sábado (12), as infiltrações aumentaram e causaram novo alagamento no espaço que abriga milhares de livros e materiais históricos. A situação decorre do fato de que, desde maio, quando o teto cedeu, a biblioteca permanece com uma cobertura provisória, insuficiente para impedir a entrada significativa de água em dias de chuvas fortes.
A direção da Faculdade de Educação informou que tem buscado junto à Reitoria da USP uma solução rápida para o conserto definitivo do telhado, mas até o momento não houve nova etapa da discussão regulatória. A Reitoria, consultada, não retornou os pedidos de esclarecimento até a publicação desta reportagem.
Contexto do desabamento e danos ao acervo
O desabamento do teto ocorreu em maio, enquanto a biblioteca estava em obras. Um dia antes do temporal, a empresa responsável pela reforma retirou as telhas do local, o que causou o acidente e danos à parte elétrica do prédio. Cerca de quatro mil livros foram atingidos, incluindo documentos didáticos e históricos, além de exposições artísticas. O prédio já enfrentava problemas recorrentes de infiltração e aguardava reparos desde 2024.
Rescisão contratual e impasse na reforma
Diante da gravidade dos danos, a administração central da USP rescindiu o contrato com a empresa responsável, no valor de R$ 638 mil, firmado em 20 de janeiro, e buscou responsabilizá-la judicialmente por não adotar as medidas adequadas de proteção durante a obra. No entanto, desde a rescisão, nenhum novo contrato foi firmado para concluir a reforma, o que mantém a biblioteca em situação precária.
“Após o primeiro desabamento, foi feita apenas uma cobertura provisória com telhas e lonas. Passados mais de quatro meses, essa é a única proteção que o prédio, o acervo e os funcionários têm. Precisamos de uma solução permanente e urgente”, afirma Daniela Pires, chefe da biblioteca.
Acervo de valor histórico ameaçado e medidas emergenciais
A biblioteca da Faculdade de Educação da USP possui o maior acervo sobre educação do Brasil, com mais de 250 mil itens, incluindo 60 mil volumes raros. Entre eles, destaca-se a maior coleção do país de livros didáticos usados desde os primeiros anos escolares até os dias atuais.
Para evitar perdas maiores, os funcionários retiraram o acervo do segundo andar, armazenando-o provisoriamente no térreo e no primeiro andar. A biblioteca permanece fechada, impedindo o acesso de estudantes, professores e pesquisadores.
“Uma das bibliotecas mais importantes que preserva a história da educação brasileira está vulnerável. Ainda nem chegamos ao pico do período chuvoso e já enfrentamos prejuízos. A urgência por uma solução definitiva é evidente”, conclui Daniela.


