O declínio da liderança econômica de Sorocaba
Sorocaba foi destaque nacional ao figurar entre as 10 cidades mais empreendedoras do Brasil entre 2013 e 2016. Naquele período, a cidade se destacou como um polo industrial e tecnológico no interior paulista, conseguindo enfrentar a crise econômica que abateu o país. O Índice de Cidades Empreendedoras (ICE), elaborado pela Endeavor, confirmou sua força, posicionando-a entre as melhores do país. Em 2016, Sorocaba superou capitalidades em aspectos essenciais para o desenvolvimento urbano, como infraestrutura, custo de energia elétrica e fluidez no trânsito.
Além disso, o saldo positivo de 508 vagas formais de emprego naquele março a colocava em 5º lugar no ranking estadual entre municípios com mais de 10 mil habitantes. Iniciativas locais também foram reconhecidas nacionalmente pela plataforma Startupi, reforçando o ecossistema empreendedor da cidade.
Fatores que explicam a queda no ranking
No entanto, desde 2016, Sorocaba enfrenta um retrocesso preocupante. A perda de dinamismo na indústria, a redução da atração de investimentos estrangeiros e o enfraquecimento da infraestrutura urbana contribuíram para essa queda. Muitos trabalhadores migraram para a informalidade ou deixaram a região em busca de oportunidades, o que comprometeu o ambiente econômico local. O ICE da Endeavor reflete essa realidade, colocando a cidade na 39ª posição no ranking nacional.
Leia também: Londrina se destaca como polo tecnológico e de empregos fora do eixo Rio-SP
Fonte: ctbanews.com.br
Leia também: Pitty confirma show em Ribeirão Preto e abre venda de ingressos em setembro
Fonte: aquiribeirao.com.br
Para o professor Geraldo Almeida, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico da cidade, essa situação ultrapassa números e ranking. “Sorocaba tem tamanho, história e orçamento para retomar sua liderança”, afirma. Ele destaca que a crise atual é resultado da substituição de políticas consistentes por iniciativas imediatistas, que não conseguiram manter o ritmo de crescimento e inovação da cidade.
Propostas para a retomada do crescimento econômico
Almeida defende a apresentação de um modelo técnico e comprovado para Brasília, baseado nas políticas que deram certo no passado da cidade. Entre as propostas está a atração de fundos de tecnologia, a reindustrialização da Região Metropolitana de Sorocaba e a criação de empregos formais e de qualidade. O foco é combater a informalidade e oferecer oportunidades reais para a população local, fortalecendo a economia regional.
Essas ações pretendem reverter o cenário atual e colocar Sorocaba novamente como referência no desenvolvimento econômico nacional. O desafio é grande, mas a experiência acumulada e o potencial da cidade indicam que a recuperação é possível e necessária para garantir mais emprego, renda e qualidade de vida à população.
Quem escreve
Geraldo Almeida é economista e bacharel em Direito pela USP, com pós-graduação em Administração de Empresas pela Universidade Guarulhos. Atuou como secretário de Desenvolvimento Econômico de Sorocaba entre 2013 e 2016 e foi o primeiro diretor-executivo da Agência Metropolitana de Sorocaba. Atualmente, é professor em diversas instituições e candidato a deputado federal pelo partido Missão.
Este texto foi produzido para o portal bra1.com.br com o objetivo de traduzir o impacto econômico regional para o bolso, emprego e negócios dos sorocabanos, mantendo o compromisso com a economia real e os fatos concretos.


