Pedido de recuperação extrajudicial para aliviar pressão financeira
Em 24 de agosto de 2026, a Braskem protocolou na Justiça de São Paulo um pedido de recuperação extrajudicial. O objetivo é reestruturar suas dívidas por meio de um acordo direto com os credores, sem passar pelo processo tradicional de recuperação judicial. A informação foi confirmada pela CNN, que destacou a necessidade da homologação judicial para que o procedimento avance.
Nos últimos meses, o conselho empresarial da Braskem discutia alternativas para renegociar a dívida. No entanto, o prazo de 60 dias de proteção contra cobranças judiciais expirou sem que um acordo fosse firmado. Os bancos envolvidos solicitaram garantias com ativos da empresa e um empréstimo adicional de US$ 700 milhões, proposta que a Braskem rejeitou.
Proposta alternativa e condições da dívida
Como resposta, a IG4, uma das controladoras da companhia, apresentou uma proposta que prevê um prazo estendido de cinco anos para pagamento das linhas atuais, além de 30 meses sem cobrança de juros. Essa alternativa não reduz o valor principal da dívida nem inclui a transferência de ações da empresa aos credores em troca dos créditos.
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O cenário do mercado petroquímico apresenta desafios significativos para a Braskem. O setor enfrenta excesso de oferta, margens de lucro reduzidas e demanda enfraquecida. Isso impactou diretamente os custos da empresa, que chegaram a representar cerca de 96% da receita líquida.
Impactos da alta dos juros e desafios externos
Além disso, a dívida da Braskem se tornou mais onerosa com o aumento da taxa Selic, que subiu de 2% em 2020 para 15% em março de 2026. Parte dos compromissos financeiros da empresa está atrelada a moedas estrangeiras, o que também pressiona sua saúde financeira. Em junho, as agências Fitch e S&P Global rebaixaram a classificação dos títulos da companhia, citando o endividamento elevado e as dificuldades econômicas enfrentadas.
Crise ambiental e repercussões judiciais
Outro fator que agrava a situação da Braskem é o impacto do desastre ambiental em Maceió, causado pela exploração de sal-gema. O afundamento do solo afetou aproximadamente 60 mil pessoas e resultou na condenação de cerca de 14 mil imóveis. Em junho, a Justiça Federal acatou uma denúncia do Ministério Público Federal relacionada a esse episódio, o que gerou queda de quase 15% nas ações da empresa em um único pregão.
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Fonte: noticiadesalvador.com.br
Na última semana, a Braskem Idesa, joint venture da companhia no México, também entrou com pedido de proteção no Chapter 11, mecanismo de recuperação nos Estados Unidos, indicando a extensão dos desafios financeiros para além do Brasil.


