Checagem de dados econômicos no debate presidencial
Durante o debate realizado na Globo, a equipe do Estadão Verifica acompanhou em tempo real as declarações de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), analisando a veracidade dos dados apresentados. As checagens foram atualizadas ao longo do programa, revelando números importantes sobre obras públicas, concessões, exportações, carga tributária e saneamento.
Obras públicas paralisadas: divergências nos números
Lula afirmou que, ao assumir o governo em 2023, encontrou 6 mil obras paralisadas. O levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) não confirma essa cifra para janeiro de 2023, mas indica dados de abril daquele ano, quando havia 8.603 obras paralisadas de um total de 21.005 em andamento. A maior concentração era nas áreas de Educação (3.580) e Infraestrutura e Mobilidade Urbana (1.854). Anteriormente, em agosto de 2022, o número era ainda maior, com 8.674 obras paralisadas. Já em abril de 2024 e 2025, os números subiram para 11.944 e 11.469, respectivamente. O índice mais recente, de abril de 2026, mostra redução para 4.215 obras paralisadas, de um total de 22.414 em andamento.
Flávio Bolsonaro reforçou que o governo Lula mantém 11,5 mil obras paralisadas, dado confirmado pelo TCU em 2025, que indicou 11.469 obras públicas paralisadas, sendo 70% concentradas nos setores de educação e saúde, com 8.053 obras inacabadas.
Concessões e infraestrutura digital
Sobre as concessões rodoviárias, Flávio afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro definiu pedágio zero para motociclistas em todas as concessões. O Estadão Verifica classifica essa informação como enganosa, pois a portaria de agosto de 2021 do Ministério da Infraestrutura aplicava essa isenção apenas em novas concessões federais em fase de licitação, sem abranger todas as rodovias federais ou estaduais.
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Na área digital, Flávio destacou que o governo Bolsonaro instalou 20,3 mil pontos de internet em mais de 3,1 mil cidades brasileiras, afirmativa verdadeira. Até dezembro de 2022, o Programa Wi-Fi Brasil, coordenado pelo Ministério das Comunicações, implementou mais de 21,3 mil pontos de internet gratuita banda larga via satélite e conexões terrestres, abrangendo 3,2 mil cidades.
Exportações e investimentos em obras
Lula mencionou que o Brasil nunca exportou tanto quanto sob seu governo. O dado é confirmado: em 2025, as exportações atingiram recorde histórico de US$ 348,7 bilhões, um aumento de 3,5% em relação a 2024 e cerca de US$ 9 bilhões acima do recorde anterior de 2023.
Sobre o túnel de Santos, Lula disse que o governo federal está investindo recursos, inclusive com financiamento do BNDES. O Estadão Verifica apontou que a afirmação é enganosa, pois o custo estimado de R$ 6,8 bilhões será dividido entre União, Estado de São Paulo e a iniciativa privada. O governo estadual tem relatado atrasos na liberação de empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e do Banco do Brasil para a obra.
Carga tributária e saneamento básico
Flávio afirmou que o presidente Lula implementou a maior carga tributária da história. Segundo dados do Tesouro Nacional, a carga tributária bruta do governo geral subiu de 32,22% para 32,40% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2024 e 2025, o maior nível desde 2010. O crescimento foi puxado pelo governo central, que aumentou sua participação de 21,34% para 21,60% do PIB.
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Fonte: atividadenews.com.br
Sobre o acesso a saneamento, Flávio disse que 90 milhões de brasileiros não têm esgoto tratado e 40 milhões não têm água tratada. O número referente ao esgoto está correto, mas a falta de acesso à água potável atinge cerca de 34 milhões de pessoas, conforme estudo do Instituto Trata Brasil de 2025. Além disso, o político afirmou que o governo Lula adiou a meta de 90% de atendimento de esgoto, originalmente prevista para 2033, para 2050, dado que merece análise mais aprofundada.
Impactos econômicos e sociais das declarações
As declarações de Lula e Flávio Bolsonaro trazem números que refletem diretamente na vida dos brasileiros, seja na qualidade das obras públicas, no acesso à internet, nas exportações que sustentam a economia ou na carga tributária que impacta o bolso do trabalhador e do empresário. Compreender a precisão dessas informações ajuda a entender os desafios que o país encara e as prioridades dos governos.
As checagens do Estadão Verifica no debate evidenciam como dados econômicos e sociais se traduzem em consequências práticas para a população, reforçando a importância da transparência e do acompanhamento criterioso das políticas públicas.


