Semana Farroupilha: tradição que atravessa fronteiras
A Semana Farroupilha termina neste domingo (20), data que marca o Dia do Gaúcho, feriado estadual no Rio Grande do Sul desde 1995. Celebrada entre 13 e 20 de setembro, essa série de eventos é o principal momento de afirmação da identidade cultural gaúcha. Apesar de suas raízes no Sul do país, a festa ultrapassou décadas atrás suas fronteiras originais, mantendo-se viva em São Paulo por meio dos Centros de Tradição Gaúcha (CTGs) e do Movimento Tradicionalista Gaúcho de São Paulo (MTG-SP).
Este ano, a programação na Grande São Paulo se concentra em pontos como Diadema, Embu das Artes e na zona Oeste da capital paulista. Além disso, cidades próximas à Região Metropolitana, como Sorocaba e Salto de Pirapora, também são palco das celebrações. A maior parte das atividades acontece no fim de semana, com almoços de costela e cordeiro assados no fogo de chão, além de bailes embalados pela música tradicionalista e apresentações de dança das chamadas invernadas artísticas.
A origem do 20 de setembro e sua importância histórica
O Dia do Gaúcho remete ao início da Revolução Farroupilha, ou Guerra dos Farrapos, conflito civil que durou uma década, entre 1835 e 1845, sendo o mais longo da história brasileira. Na manhã de 20 de setembro de 1835, homens armados liderados por Gomes Jardim e Onofre Pires tomaram Porto Alegre, marcando o começo do levante. Pouco depois, Bento Gonçalves assumiu a liderança do movimento que, em 1836, proclamou a República Rio-Grandense.
As motivações da revolução estavam ligadas a insatisfações econômicas e políticas, como as altas taxas impostas pelo Império ao charque produzido no Rio Grande do Sul, que perdia espaço para o produto da região platina, e a nomeação centralizada dos presidentes provinciais, sem participação das elites locais.
Apesar da importância histórica, a comemoração atual tem origem recente, datando de 1947. Naquele ano, oito estudantes de Porto Alegre, conhecidos como “os oito bombachudos” por vestirem a tradicional bombacha, retiraram uma fagulha da Pira da Pátria com um cabo de vassoura. Liderados por Paixão Côrtes, que se tornou referência no tradicionalismo gaúcho, eles deram início à tradição da Chama Crioula, mantida acesa até o 20 de setembro, e à Ronda Crioula, evento que percorre diversas cidades do estado.
Festejos Farroupilhas de 2026: refletindo a herança guarani e jesuítica
O tema dos Festejos Farroupilhas em 2026 será “Herança Jesuítica e Guarani no Rio Grande do Sul: 400 anos de cultura e tradição”. A escolha celebra quatro séculos da fundação da missão jesuítica de São Nicolau, em 1626, marco da convivência entre padres da Companhia de Jesus e indígenas guaranis. Este período deixou um legado importante na cultura gaúcha, influenciando vocabulário, costumes, nomes de lugares e a participação central das mulheres indígenas no artesanato e na agricultura das missões, aspectos pouco reconhecidos nas narrativas tradicionais.
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Símbolos e costumes que mantêm viva a cultura gaúcha
Entre os principais símbolos das festas da Semana Farroupilha estão a Chama Crioula e o fogo de chão. A Chama é carregada a cavalo por membros das 30 Regiões Tradicionalistas do Rio Grande do Sul, sendo levada de cidade em cidade até o feriado. O fogo de chão, além de técnica para assar carnes, é o coração dos acampamentos, onde se reúnem churrasco, arroz carreteiro e chimarrão, embalados por música tradicionalista.
A pilcha, traje gaúcho oficializado em 1989, também é um símbolo importante. Ela representa a identidade visual das festas e é usada como traje de honra, reforçando o respeito às tradições.
Onde celebrar a cultura gaúcha em São Paulo e região
CTG Barbosa Lessa – São Paulo
O CTG Barbosa Lessa promove no domingo (20) uma missa crioula às 10h30, seguida de almoço típico com buffet livre das 12h30 às 14h30 na Igreja Vila Anastácio. À tarde, o grupo Tchê Parceiros anima a festa com música tradicionalista. Os ingressos variam de R$ 45 (crianças de 7 a 12 anos) a R$ 85. Endereço: Rua Martinho Campos, 420, Vila Anastácio.
CTG Meu Pago – Diadema
Fundado em 1983, o CTG Meu Pago realiza no domingo (20), a partir das 11h, a Grande Festa do Dia do Gaúcho, com almoço de costela e cordeiro assados no fogo de chão. O show do Grupo Vanerô traz ritmos como vanera, chamamé e bugio. O ingresso custa entre R$ 60 e R$ 125, sendo gratuito para crianças até 6 anos. Local: Estrada Maria Cristina, 874, Eldorado – Diadema.
CTG Saudades do Sul – Embu das Artes
Conhecido pelos bailes e culinária típica, o CTG Saudades do Sul prepara festa especial neste domingo, a partir das 12h, com almoço e show da banda Estância do Sul. À tarde, a dupla Matheus & Adriel e Zézinho Sanfoneiro se apresentam. Endereço: Rua Alexandre Kadunc, 1.281, Tingidor – Embu das Artes. Ingressos de R$ 60 a R$ 80 para o almoço.
Opções próximas à capital
Em Sorocaba, o CTG Fronteira Aberta celebra no sábado (19) com baile e jantar de costela no fogo de chão, ao som do grupo Tchê Loco. Local: Rua Salto de Pirapora, 10, Jardim Iguatemi.
Salto de Pirapora recebe o CTG Alma Charrua, que realiza festa no sábado (19) com shows de João Márcio & Henrique e do grupo Na Gandaia. Ingressos custam entre R$ 25 e R$ 30, e mesa para quatro pessoas sai por R$ 120. Endereço: Rua André Crucomschi, 450, Jardim Luar.
Sabores gaúchos na capital paulista
Para quem deseja experimentar o espeto corrido tradicional sem sair de São Paulo, há restaurantes como Fogo de Chão, com unidades na Vila Olímpia e nos Jardins, e o Barbacoa, no Itaim Bibi, que oferecem rodízios de carnes no estilo gaúcho. A Churrascaria Boi Gaúcho, com unidades na Penha e na Ponte Rasa, também mantém a tradição do churrasco.
Quem busca o xis gaúcho, sanduíche típico do Sul, pode visitar o Consulado Gaúcho na zona Oeste, que celebra dez anos neste mês. O local funciona de terça a sexta, das 12h às 15h e das 18h às 22h; sábados das 12h às 22h; e domingos das 12h às 20h.
O ritual do chimarrão
Presente em todas as celebrações, o chimarrão é mais que uma bebida: é símbolo de sociabilidade e tradição, compartilhado em rodas que fortalecem os laços culturais entre os gaúchos e os simpatizantes da cultura sulista.


