Investigação Focada em Denúncias Críticas
A Câmara Municipal de Sorocaba, no interior de São Paulo, decidiu instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar graves denúncias relacionadas ao Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS). A medida foi aprovada nesta quarta-feira, dia 22, após um grupo de 11 vereadores subscrever o requerimento, que terá validade de 90 dias. A CPI visa apurar alegações de negligência, mortes suspeitas e problemas de superlotação no hospital, que serve como referência para 48 municípios da região.
Este movimento ocorre apenas dois meses após a Câmara ter arquivado dois pedidos de abertura de Comissões Processantes (CP) contra o prefeito Rodrigo Manga, do partido Republicanos. O gestor é investigado por suspeitas de desvio de verbas em contratos da área da saúde local. O contexto da nova CPI levanta questões relevantes sobre a administração da saúde na cidade e a prestação de serviços no hospital estadual.
Denúncias Sérias à Frente da CPI
A CPI se concentrará em três aspectos fundamentais:
- Mortes suspeitas e possíveis falhas no atendimento;
- Superlotação e uso inadequado de leitos;
- Atrasos em cirurgias que podem ter piorado o estado de saúde dos pacientes.
A decisão de instaurar a CPI foi impulsionada por um dossiê extenso, contendo 40 páginas, apresentado pelo vereador Ítalo Moreira, do partido Missão, durante uma audiência pública realizada em abril. Este documento inclui fotos, depoimentos e reportagens que evidenciam a situação crítica do hospital, servindo de base para a investigação.
Entre os casos que chamaram a atenção e motivaram a abertura da CPI está a morte de um bebê após o parto no CHS, um episódio amplamente noticiado pelo G1 em fevereiro, que chocou a comunidade local e fez soar os alarmes sobre a situação do hospital.
Limitações da CPI e Competência dos Vereadores
Vale destacar que, apesar da CPI ter sido criada para investigar o CHS, as limitações de poder são significativas. A administração do hospital é de competência da Secretaria de Estado da Saúde (SES), o que significa que a CPI não possui autoridade para punir ou afastar gestores. Em vez disso, os vereadores têm a função de apurar os fatos e encaminhar suas conclusões ao Ministério Público e à Assembleia Legislativa, que poderão tomar as devidas providências.
Para a abertura da CPI, eram necessárias pelo menos nove assinaturas de parlamentares. O requerimento, no entanto, ganhou o apoio de 11 vereadores, conforme a lista abaixo:
- Ítalo Gabriel Moreira (Missão);
- Fernanda Garcia (PSOL);
- Iara Bernardi (PT);
- Izídio de Brito (PT);
- Silvano Júnior (Republicanos);
- Cláudio Sorocaba (PSD);
- Henri Arida (MDB);
- Toninho Corredor (AGIR);
- Raul Marcelo (PSOL);
- Rodolfo Ganem (Podemos);
- Jussara Fernandes (Republicanos).
Respostas das Autoridades Envolvidas
Em resposta às alegações e à nova investigação, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) divulgou uma nota onde garante que o CHS passa por fiscalizações regulares e está à disposição para prestar esclarecimentos sobre qualquer questão que surja. Além disso, a pasta afirmou que foram determinadas à Seconci, a organização social responsável pela gestão do hospital, a “adoção imediata das providências necessárias” para melhorar a situação.
Com o desenrolar da CPI, a expectativa é que as investigações tragam à luz a real situação do Conjunto Hospitalar de Sorocaba, um tema que toca a vida de muitos cidadãos da região e que merece atenção especial das autoridades competentes.


