Demolição encerra 68 anos de história cultural e esportiva
O Grêmio Recreativo Cruz da Esperança, tradicional palco do Samba do Cruz na zona norte de São Paulo, amanheceu nesta quarta-feira cercado por agentes da Guarda Civil Metropolitana, sinalizando o início da demolição do espaço pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). A decisão, autorizada pela Justiça, põe fim a uma disputa judicial entre o grêmio e a prefeitura, encerrando uma trajetória de 68 anos do local, que era também um polo de futebol de várzea.
Histórico do terreno e mudança na gestão
O terreno, situado próximo ao Aeroporto Campo de Marte, é administrado pela União por meio do Comando da Aeronáutica. O uso do espaço pelo grêmio teve início no fim da década de 1950, após um acordo informal entre moradores, taxistas e a Aeronáutica para a prática esportiva. Em 2022, o terreno foi transferido para o município como parte da quitação de uma dívida envolvendo a região do Campo de Marte.
Recentemente, a prefeitura, sob a gestão Nunes, repassou o terreno à iniciativa privada e solicitou a reintegração de posse, alegando a intenção de construir um parque público. A administração do espaço passou para o Consórcio Campo de Marte, liderado pela empresa Progen.
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Resistência da comunidade e críticas ao desmonte cultural
Integrantes do Grêmio e a comunidade local contestaram a medida, promovendo mobilizações e contando com apoio popular e político. Na noite anterior à demolição, o Samba do Cruz realizou uma última apresentação gratuita, reunindo centenas de pessoas e a participação da vereadora Luna Zarattini (PT-SP).
Entidades culturais criticam a prefeitura pela retirada de espaços culturais em São Paulo, lembrando casos como a demolição do Teatro de Contêiner, no centro, e a estrutura do clube de futebol feminino Aliança da Casa Verde, voltado à população LGBT+, demolida em março no mesmo complexo do Campo de Marte.
Posicionamento da Prefeitura de São Paulo
A gestão municipal afirmou que manteve diálogo com todas as entidades que utilizam o local, e que apenas o Cruz da Esperança recusou a proposta de reintegração, abandonando as tratativas e descumprindo notificações para desocupação voluntária. Também destacou que o grêmio não tinha autorização para realizar o evento Samba do Cruz, que incluía venda irregular de bebidas alcoólicas e cobrança de entrada em espaço público.
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Além disso, a prefeitura informou que a concessionária responsável pelo parque firmou acordo com a Associação dos Clubes Mantenedores da Área de Esportes e Lazer, garantindo gestão compartilhada dos futuros campos de futebol de várzea no local com demais grupos.


