Um Acervo Histórico de Conquistas
O São Bento, um dos clubes mais tradicionais do futebol paulista, acaba de inaugurar seu museu, que tem como propósito preservar e contar os 112 anos de sua rica trajetória nos gramados. Entre os itens armazenados no acervo, destacam-se as taças das vitórias na Série A3 do Campeonato Paulista, em 2013, e da Copa do Estado de São Paulo—atualmente conhecida como Copa Paulista—conquistadas em 1985 e 2002. O museu também exibe as taças de vice-campeão da Série A2, obtidas em 2020 e 2022, além de uma faixa que simboliza o primeiro acesso à Divisão Especial, alcançado em 1962. Para completar essa coleção, a emblemática Taça Pierrot, conquistada em 1917 sobre o XV de Piracicaba, também faz parte do acervo.
Uma vitrine especialmente montada exibe não apenas as conquistas, mas também símbolos que representam a essência do clube. Dentre eles, está o ícone Azulão, o Chico Bento, que, conforme declarou seu criador, Mauricio de Sousa, em uma entrevista à revista Placar, é um torcedor fervoroso do São Bento. Outro destaque é o mascote Tira Prosa, criado pelo cartunista Pinochio na década de 1960, que também ganha seu espaço nesse novo espaço.
Raízes e História do Clube
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A história do São Bento está intimamente ligada à cidade de Sorocaba. O espaço destinado à memória do autor do hino do clube, Ulderico Amêndola, exibe sua máquina de escrever original, ao lado de um painel que retrata os primórdios do clube. Fundado em 14 de setembro de 1913 como Sorocaba Athletic Club, o clube passou a se chamar Sport Club São Bento em 13 de outubro de 1914, refletindo suas raízes nos trabalhadores da fábrica de chapéus Souza Pereira.
Além disso, o museu também presta homenagem à Rua dos Morros e ao estádio que abrigou o time entre as décadas de 1920 e 1970, um local que passou por expansões significativas e que foi desativado em 1978 com a inauguração do moderno estádio Walter Ribeiro (CIC). O espaço também contará com áreas para exposições temporárias, com o primeiro tema abordando a seleção brasileira em preparação para a Copa do Mundo de 2026.
Um Sonho Tornado Realidade
A iniciativa de criar o museu foi coordenada pela Associação Vamos Subir, Bento! (AVSB), com o apoio da diretoria do clube, torcedores e diversos parceiros. A abertura do museu será dedicada inicialmente aos sócios, marcada para a terça-feira às 19h30. Na quarta, ocorrerá uma cerimônia institucional voltada a autoridades e convidados. O espaço estará aberto ao público aos sábados, das 10h às 16h.
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De acordo com William Alves de Araújo, presidente da AVSB, a concretização do museu representa a realização de um sonho que se arrasta por mais de dez anos. A proposta é que o local se transforme em um espaço dinâmico, onde a comunidade possa interagir e se conectar com a história do clube.
“Queremos que a visitação seja gratuita para que a comunidade esteja aqui. As crianças e as escolas são partes fundamentais dessa narrativa. O museu foi pensado para entrelaçar a história de Sorocaba com a do São Bento. Nos últimos 112 anos, não podemos falar de Sorocaba sem mencionar o São Bento, e vice-versa. Este espaço servirá como uma forma divertida de os professores ensinarem a história da cidade para as crianças”, afirma William.
Uma Homenagem aos Torcedores
Uma parede inteira do museu é dedicada aos torcedores do São Bento, incluindo figuras notáveis como o ator Paulo Betti e o médico e jornalista Osmar de Oliveira, além de torcidas organizadas, como a Falcão Azul, Sangue Azul e a histórica Torcida Uniformizada Tira-Prosa Sorocaba, fundada em 1975, que teve papel fundamental na luta contra o preconceito feminino nos estádios.
A aposentada Maria Helena Ramalho, que integrou a Tira-Prosa, expressou sua emoção ao ver a história do clube refletida nas exposições. Ao lado de suas irmãs e filhas, ela compartilhou momentos marcantes vividos com o São Bento. “A minha vida se mistura com a história do São Bento, e se fôssemos fazer um livro sobre a família Ramalho, o clube teria um lugar de destaque. Esta é uma história que vai além das vitórias, é uma parte fundamental da nossa vida”, comenta.
Maria Helena também relembra as dificuldades enfrentadas pelas mulheres para se tornarem parte desse ambiente antes restrito predominantemente aos homens nos estádios. “Lutamos para que o futebol fosse visto como uma festa familiar e não apenas como um espaço masculino. Ensinei minhas filhas a amar o clube desde pequenas e vivenciamos muitas alegrias juntas”, completa.


