Desafios da Inteligência Artificial para o Brasil
O Brasil enfrenta um momento crítico diante do avanço acelerado da inteligência artificial (IA) nos países desenvolvidos, conforme aponta o ex-ministro da Fazenda e diretor de estratégia econômica do Banco Safra, Joaquim Levy. Para ele, os próximos dois anos serão decisivos para o país, que precisa lidar com a crescente desigualdade tecnológica e as incertezas do cenário econômico global.
Levy ressalta que o curto horizonte temporal significa que os países emergentes, como o Brasil, podem se distanciar ainda mais dos líderes em IA, devido à falta de recursos equivalentes. “Navegar essa onda sem os mesmos recursos é o principal desafio das economias emergentes”, destaca.
Incertezas na Economia Global e Fiscal
Além do avanço da IA, Levy aponta três fatores que mantêm o cenário internacional instável: a desinflação ainda incompleta pós-pandemia, os desafios fiscais dos Estados Unidos e a reorganização do comércio mundial. Para ele, a palavra que resume o momento é “incerteza”, pois, apesar da inflação ter recuado nas principais economias, o processo pode sofrer reviravoltas.
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Fernando Rocha, sócio e economista-chefe da JGP, reforça que o maior desafio do Brasil é promover um ajuste fiscal rápido e eficaz. Ele alerta para a trajetória explosiva da dívida pública, que pode gerar estresse no mercado financeiro caso não haja ação nos próximos quatro anos. “O mercado está tranquilo, mas mudanças rápidas são possíveis”, pondera Rocha.
Impactos do Ajuste Fiscal na Economia Brasileira
Solange Srour, diretora de macroeconomia do UBS Global Wealth Management, concorda que a desaceleração do crescimento já está prevista e que a intensidade dependerá da política fiscal adotada e do contexto internacional. Ela destaca que o ajuste fiscal para estabilizar a dívida precisa ser “muito rápido e muito forte”.
Srour alerta que o atual nível de juros reflete a percepção de risco das contas públicas, dificultando um crescimento econômico sustentável. Além disso, o alto endividamento das famílias, aliado a juros elevados por longo período, pode desencadear uma crise mais grave. “Não há como a economia crescer com esse desequilíbrio fiscal enorme”, afirma.
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Perspectivas e Sustentabilidade da Política Econômica
O pesquisador Samuel Pessoa, da Fundação Getulio Vargas (FGV), analisa que a política econômica recente do governo é insustentável. Apesar dos indicadores positivos atuais, como desemprego em níveis mínimos históricos e crescimento da atividade econômica, esse cenário não deve se manter.
“A foto do País é muito boa, mas até no desemprego há insustentabilidade”, conclui Pessoa, reforçando a necessidade de medidas estruturais para garantir estabilidade e crescimento no médio prazo.


