Thiago Elniño Apresenta ‘Canjerê’: Uma Reflexão Sobre Música e Identidade
O rapper Thiago Elniño acaba de lançar seu novo EP intitulado ‘Canjerê’, um trabalho que celebra sua trajetória no universo do rap. Este é o quarto disco da carreira do artista e conta com colaborações de grandes nomes como Glória Bomfim, Sérgio Pererê, Lazzo Matumbi, Rashid, entre outros. Ao todo, o EP reúne influências e experiências que moldaram a identidade musical de Elniño.
“Eu realmente tratei este EP como se fosse meu último”, revela Thiago em sua participação no programa Conversa Bem Viver. O rapper explica que sua intenção não era encerrar sua carreira, mas sim realizar o sonho de trabalhar com artistas que admira e que se alinham com o conceito de sua obra. A palavra ‘canjerê’, que significa o encontro de magias e feitiços, simboliza essa união de talentos e inspirações.
Durante a entrevista, Thiago compartilhou como sua atuação como educador e seu trabalho artístico se entrelaçam. “Eu vejo o palco como uma sala de aula e a sala de aula como um palco”, comentou. Para ele, tanto a performance musical quanto a educacional demandam uma entrega que visa transmitir conhecimento e experiências ao público.
O Encontro de Gerações e a Luta Contra o Etarismo no Rap
Elniño também falou sobre a dinâmica de seu trabalho no rap, onde muitos artistas são vistos como ‘velhos’ ao chegar aos 30 anos, devido ao etarismo presente na cultura. “Quando pensei nesse projeto, quis reunir pessoas de diferentes gerações. Eu percebo que, no rap, a juventude é muito valorizada, mas eu quero estar ativamente criando música com artistas mais velhos e mais jovens”, afirmou.
O rapper ressaltou que, embora a utilização de samples seja uma forma de homenagear artistas mais velhos, isso não é o suficiente. “Era importante para mim estar em estúdio com esses artistas, aprendendo e trocando ideias”, disse Thiago, referindo-se a figuras como Marco Ribas, que já não está mais entre nós, mas deixou um legado significativo na música.
A discussão sobre a relação entre artistas mais velhos e jovens é recorrente no rap, e Thiago enfatiza que é fundamental uma troca real e significativa entre esses grupos. Ele acredita que isso pode enriquecer tanto a cena musical quanto a experiência dos ouvintes.
O Impacto da Internet e a Busca por Diálogo
Thiago também abordou como a internet, embora traga a promessa de conexão, pode, na verdade, dividir as pessoas em ‘caixinhas’. “Ela pode criar a ilusão de que estamos todos conectados, mas muitas vezes isso dificulta diálogos franqueados e a verdadeira troca de experiências”, comentou.
O rapper visa que seu trabalho não apenas apresente artistas mais velhos a novas gerações, mas também crie relações significativas entre eles. “A ideia é que meu disco seja acessível, que as pessoas possam ouvi-lo enquanto fazem suas tarefas diárias, e que isso gerem conversas”, disse.
Reflexões sobre Educação e Música
Discutindo a diferença entre ser professor e educador popular, Thiago explicou que nem todo professor é um educador popular, mas muitos educadores têm uma abordagem mais dinâmica e contracultural. “Os educadores populares têm a missão de desafiar o sistema e construir novos saberes”, ressalta.
Além disso, ele enfatizou que a atuação no rap deve transcender o simples ato de fazer música. “Ser um MC envolve um compromisso político e social; é um papel que vai além da música, buscando promover transformação dentro da comunidade”, defendeu.
Thiago finalizou a entrevista comentando sobre uma de suas músicas, ‘Chão do Meu Terreiro’, que homenageia o livro ‘Torto Arado’ de Itamar Vieira Júnior. Ele ressaltou a importância de trazer a cultura popular para a música e de incluir vozes diversas, como a de mulheres trans, na sua obra. “A ideia é que a música represente essa luta e essa pluralidade que existe na nossa sociedade”, concluiu.


