Oportunidades Abertas pelo Novo Tarifaço
Durante uma cerimônia em São Paulo, o vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, afirmou que o país é o mais beneficiado pelas recentes mudanças nas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As declarações foram feitas no dia 23 de outubro, durante um evento na Fiesp, onde Alckmin assinou uma medida provisória que isenta a taxa de serviço metrológico para verificação de taxímetros.
A nova tarifa global de 15% sobre produtos importados pelos EUA entra em vigor a partir de 24 de outubro e é acompanhada de uma lista extensa de itens que estarão isentos. Esta medida foi implementada após a Suprema Corte americana derrubar parte do tarifaço baseado na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).
“Essa decisão de 15% não apresenta problemas para nós, pois se aplica igualmente ao Brasil e ao resto do mundo. O país mais beneficiado somos nós, já que antes enfrentávamos sobretaxas de até 50%”, ressaltou Alckmin, enfatizando as vantagens que essas mudanças trazem para o Brasil.
Impactos Positivos para o Comércio Brasileiro
Historicamente, os produtos brasileiros enfrentavam tarifas exorbitantes, o que dificultava a competição no mercado internacional. Com a nova configuração, os itens brasileiros tornam-se mais competitivos, uma vez que a redução das alíquotas representa uma oportunidade para aumentar as exportações. A lista de isenções agora inclui produtos industriais e tecnológicos, abrangendo semicondutores e eletrônicos, além de alimentos como carne bovina, suco de laranja e café.
Alckmin observou que essa mudança abre novas avenidas para que o Brasil retome um papel relevante no comércio exterior com os EUA, destacando a importância da relação comercial entre os dois países. A expectativa é que as novas tarifas impulsionem a troca comercial e favoreçam a economia brasileira.
O Papel Estratégico dos EUA na Balança Comercial Brasileira
O vice-presidente também comentou sobre a posição estratégica dos Estados Unidos no comércio exterior do Brasil. Ele lembrou que, atualmente, a China é o maior comprador dos produtos brasileiros, seguida pela União Europeia e, em terceiro lugar, os Estados Unidos. Apesar de ocuparem essa posição, os EUA são fundamentais na importação de produtos manufaturados, como aeronaves, máquinas e equipamentos.
“Embora a China seja o principal parceiro em commodities, como petróleo, minério de ferro e soja, os Estados Unidos se destacam na aquisição de produtos industriais. Portanto, a antiga combinação de tarifas de 10% e 40% era um verdadeiro entrave”, observou Alckmin.
Estudo Revela Vantagens para Brasil e China
Um estudo da Global Trade Alert, uma organização que monitora políticas de comércio internacional, confirma que Brasil e China são os países que mais se beneficiarão das mudanças tarifárias. O relatório aponta que o Brasil terá a maior redução nas tarifas médias, com uma diminuição de aproximadamente 13,6 pontos percentuais. A China vem em seguida, com uma redução de 7,1 pontos, enquanto a Índia terá uma diminuição de 5,6 pontos.
Com a nova configuração, países aliados dos EUA, como o Reino Unido, a União Europeia e o Japão, enfrentarão aumentos nas tarifas, o que torna as mudanças ainda mais relevantes para o Brasil. Essa reestruturação tarifária pode sinalizar um reequilíbrio nas relações comerciais e trazer novas oportunidades para o comércio exterior brasileiro.


