Os Pequenos Negócios e sua Importância no RN
Em 2025, os pequenos negócios se destacaram de maneira impressionante na economia do Rio Grande do Norte, respondendo por 36,6% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual e gerando 98,14% dos empregos formais até novembro. Esses dados são revelados no boletim “Pequenos Negócios em Números 2025”, produzido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Norte (Sebrae-RN).
Segundo o relatório, o estado possui 274.717 pequenos negócios ativos, com 206.683 optando pelo Simples Nacional, um regime tributário criado para facilitar a vida de micro e pequenas empresas. Esses números evidenciam a força do empreendedorismo local e sua essencialidade na estrutura econômica da região.
Setores em Alta e Geração de Empregos
Observando a participação no PIB, o setor de pequenos negócios também ocupa uma fatia expressiva do mercado de trabalho, concentrando 37,29% do estoque total de empregos formais no estado. Entre janeiro e novembro, foram criados 22.134 novos postos de trabalho, ressaltando a habilidade desses empreendimentos em absorver mão de obra e contribuir para a diminuição do desemprego.
O setor de Serviços se destaca como o líder em número de pequenos negócios optantes do Simples Nacional, com 106.742 empresas registradas. Em segundo lugar está o Comércio, com 68.663 empreendimentos. Indústria, Construção e Agropecuária completam o quadro com 17.979, 12.184 e 1.115 empresas, respectivamente.
As atividades mais representativas incluem o comércio varejista, serviços de alimentação, beleza, serviços administrativos e educação. O perfil setorial, conforme apontado pelo Sebrae-RN, é um reflexo da diversidade do empreendedorismo potiguar e de sua capacidade de se adaptar às demandas do consumo e às dinâmicas urbanas.
Aquecimento do Ambiente Empreendedor
O relatório também destaca que o ambiente de negócios se manteve aquecido durante 2025, com a abertura de 53.499 novas empresas. Desse total, 96% são classificadas como pequenos negócios. O saldo anual foi positivo, com 22.211 novos empreendimentos, superando o desempenho das médias e grandes empresas no mesmo intervalo.
Os segmentos com maior número de novas aberturas incluem Logística e Transporte, Saúde e Bem-Estar, Casa e Construção, Serviços de Alimentação, Educação e Moda e Confecção, acompanhando tendências de crescimento urbano e mudanças significativas no perfil de consumo.
Impacto Social e Interiorização do Empreendedorismo
Zeca Melo, superintendente do Sebrae-RN, comenta que os dados ressaltam a centralidade dos pequenos negócios para o desenvolvimento sustentável do estado. “Esses números evidenciam que os pequenos empreendimentos são cruciais para o crescimento sustentável do Rio Grande do Norte. Iniciativas contínuas que envolvem capacitação, inovação, acesso a mercados e crédito são fundamentais para apoiar esses empreendedores na melhoria de sua gestão, aumentando a competitividade e gerando novas oportunidades”, declarou.
A análise sobre a distribuição territorial dos empreendimentos revela uma interiorização do empreendedorismo, com a Grande Natal concentrando 117.840 empresas optantes do Simples Nacional, seguida pelas regiões Oeste, Agreste e Seridó. Essa disseminação contribui para dinamizar economias locais e mitigar assimetrias regionais.
Um exemplo claro dessa transformação é a história da artesã venezuelana Andreia Vallero, que fundou a marca “Encanto Mulheres do Seridó”. Após participar de um projeto do Sebrae-RN em colaboração com o Senai e as Aldeias Infantis SOS Caicó, ela formalizou seu negócio como Microempreendedora Individual (MEI) em 2025. Andreia utiliza resíduos de tecidos da indústria de bonés da região do Seridó para produzir bolsas e chapéus. “Estou formalizada como MEI e agora quero crescer, formar minha própria empresa. Já comprei minha própria máquina para isso e quero ir além. Nessa trajetória, o Sebrae é uma peça importante na minha vida, junto com as Aldeias Infantis, por todo o apoio e acolhimento”, contou.
Os dados do boletim evidenciam que, mesmo diante de desafios macroeconômicos, os pequenos negócios continuam a desempenhar um papel estratégico no Rio Grande do Norte, sendo fundamentais para a geração de renda, sustentação do mercado de trabalho e diversificação da base produtiva do estado.


