MM Quarter e a SPTuris no centro da polêmica
No último dia 26, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), anunciou que a empresa MM Quarter Produções, alvo de investigação da Controladoria-Geral do Município (CGM), continuará prestando serviços à Prefeitura de São Paulo durante o desenrolar das apurações. Essa decisão ocorre após a demissão do ex-secretário-adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho, supostamente ligado à empresa investigada.
“Abriremos um processo licitatório para contratar uma nova empresa. Enquanto isso, preciso manter os serviços da MM Quarter, visto que a mão de obra é necessária e as pessoas devem receber seus salários”, declarou Nunes. A MM Quarter possui contratos com a SPTuris que totalizam R$ 239 milhões.
Investigações em andamento
A investigação que resultou na demissão de Rodolfo Marinho envolve a MM Quarter, registrada em nome de Nathalia Carolina da Silva Souza, ex-sócia do demitido. Marinho foi apontado como sócio oculto da empresa, que ganhou contratos substanciais com a SPTuris após sua nomeação para a Secretaria Municipal de Turismo.
Com a saída de Gustavo Pires, ex-presidente da SPTuris, que pediu demissão devido à investigação, o subprefeito da Sé, Coronel Salles, assume o cargo. Nunes enfatizou que a melhor decisão foi permitir a saída de Pires para garantir a transparência nas investigações em andamento.
O prefeito também mencionou que até o momento não foram encontradas irregularidades na execução dos contratos com a MM Quarter. “Os contratos estão mantidos por enquanto, mas se surgirem indícios de irregularidades, serão rescindidos. A Prefeitura poderá assumir a operação provisoriamente e absorver os funcionários envolvidos”, afirmou.
Documentação e procurações sob análise
Durante a apuração, Nunes relatou que a CGM encontrou duas procurações que conferiam amplos poderes a Rodolfo Marinho e a um empresário chamado Vitor. Segundo o prefeito, essas procurações permitiam a Marinho a administração total da MM Quarter, incluindo a movimentação de contas bancárias e a contratação de pessoal.
O prefeito contou que Marinho negou qualquer conexão com a empresa até a apresentação do documento que comprovou o vínculo, o que levou à sua demissão imediata. “Ele me garantiu, olhando nos meus olhos, que não tinha relação com a MM Quarter”, destacou Nunes.
Contexto da denúncia e efeitos políticos
A demissão de Marinho e a troca no comando da SPTuris ocorreram em resposta a uma denúncia que apontava a MM Quarter como uma empresa com contratos suspeitos. A investigação foi iniciada pelo próprio prefeito, que pediu à CGM que apurasse as alegações.
Desde 2022, a MM Quarter firmou pelo menos 24 contratos com a SPTuris, totalizando mais de R$ 239 milhões. A empresa, que antes atuava na área de manutenção e limpeza, mudou seu foco para eventos após a mudança em sua gestão.
Nathalia Carolina, atual proprietária da MM Quarter, já foi sócia de Marinho em uma empresa anterior e também trabalhou com ele em um gabinete parlamentar. A relação entre eles e o aumento do valor dos contratos após sua nomeação seguem sob investigação.
Reações e pressões para investigação
Parlamentares da oposição estão pressionando por investigações mais aprofundadas, ingressando com pedidos de apuração no Ministério Público sobre a SPTuris, a MM Quarter e Rodolfo Marinho. O vereador Nabil Bonduki (PT) anunciou a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a contratação de empresas pela Prefeitura.
“Os contratos milionários da MM Quarter com a Prefeitura de SP são um indício de possível favorecimento e uso de empresa laranja. Precisamos de uma investigação séria para esclarecer a situação”, comentou Luana Alves, vereadora do PSOL, enfatizando a necessidade de transparência na administração pública.
A controvérsia em torno da MM Quarter ressalta a importância de um controle rigoroso sobre os contratos públicos, especialmente em tempos de crise financeira e desconfiança nas gestões municipais. A espera pela conclusão das investigações promete manter a atenção tanto da mídia quanto da população nos próximos meses.


